15 de fevereiro de 2018

Kula Shaker - "K" (Disco da Semana #12)

Buenas,

Desculpem o atraso, "sacomé" né? Carnaval, preguiça, descanso ... e a resenha que é bom, sai depois, mas sai. E essa demora não impede que nela venha uma tijolada pra ninguém por defeito.

Ah! E pra aproveitar o fim da folia de Momo, vamos falar de algo transcendental, um disco pra elevar corações e espíritos, o disco mais espiritualmente rocknroll que já ouvi na vida.

Kula Shaker - "K"

Eis aqui o disco mais espiritual do brit pop da década de 90. Um disco de rock (mesmo que muito mais espiritualizado do que qualquer um) absurdamente calcado nos anos 70.

Guitarras, muitas guitarras. Crispian Mills as pilota com maestria. Com toda a certeza era um dos maiores músicos da cena inglesa na época. Cozinha pesada e competentíssima e os teclados mais bacanudos da ilha, tocados pelo incrível Jay Darlington (que depois veio a tocar com o Oasis).

Fizeram um disco ímpar na história do rock ao misturar a sonoridade dos anos 70 com a ideologia/sonoridade hindu. E que mistura pra lá de inusitada. Conseguem imprimir sua crença sem que isso seja chato. Há uma cacetada de elementos da cultura hindu em seu som. Tablas, cítaras e vocalizações baseadas em escalas orientais. Conseguem nesse disco de estreia algo que muitos tentaram e não conseguiram, juntar a tradição oriental com a inovação ocidental, ou seja, misturar mantras com guitarras.


O disco todo é ponto alto. Da capa que traz divindades hindus e personalidades ocidentais (seria uma referência ao "Sgt. Peppers" dos Beatles?). Do petardo rocker em "Hey Dude" com riffs pesados, à acústica/psicodélica "Temple of Everlasting Light", os ingleses mostram um caldeirão de ótimas referências para fazer um disco coeso e muito bem composto.

Ponto mais que positivo para os mantras musicados "Govinda" e "Tattva" que elevam a audição do disco a outro nível (de consciência e concepção musical, a ideia é pra lá de genial) e a homenagem a um dos pais da psicodelia, Jerry Garcia (ex-Grateful Dead) na faixa "Grateful When You're Dead/Jerry Was Dead" é um golaço.

Com seu conceito pra lá de inusitado, a  banda se tornou a queridinha da galera mais diferentona no Reino Unido, mas sucumbiu à falta de atenção da grande mídia. Chegaram a lançar um segundo álbum, "Peasants, Pigs, and Astronauts", mas a recepção foi bem mais fria e em 1999 eles se separam, pondo fim a uma das formações mais criativas do rock nos anos 90.

Em janeiro de 2006, a banda anunciou seu retorno, tendo feito uma apresentação "secreta" antes do natal de 2005 sob o pseudônimo "The Garçons". No entanto, a volta de Jay Darlington (que participou da turnê 2005-2006 do Oasis) não foi confirmada. Após alguns hiatos e lançamentos menos inspirados, se trancam em estúdio e em 2016 lançam "K 2.0". A resenha desse, fica pra depois, ok?

Com toda a certeza, "K" é um dos melhores e mais criativos discos da década de 90, e não ter alcançado um número maior de ouvidos atentos é uma das maiores injustiças do rock. Mas, tô aqui pra ajudar a reparar esse erro.

Ouça ontem, ouça alto e com o coração aberto, a experiência é sensacional. Clique aqui.

Logo menos tem mais. Namastê!



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...