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25 de fevereiro de 2019

Mais rápido ao seu destino (Amarelinhas Expresso #1)

NOTA DO EDITOR: em razão da interrupção extraordinária das atividades do UBQ na semana em que ocorreu o falecimento do jornalista Ricardo Boechat, alguns textos tiveram sua publicação postergada. O editor agradece a compreensão da ‘Redação UBQ’ e também dos nossos leitores.

Esta semana, voltei a minha rotina normal de trabalho. Mais uma vez, estou usando o transporte público que dá nome e inspiração aos textos aqui no blog. Mas, nesta semana fui surpreendido. Por isso, a mudança do título e do conteúdo deste texto.

Agora, alguns dos ônibus troncais (amarelinhos), que trafegam entre os terminais urbanos de transporte, receberam um adesivo com a palavra “Expresso” de forma estilizada. E pelo nome, já dá pra imaginar sua função... estes ônibus terão a função, de somente fazer paradas nos terminais, com a finalidade de agilizar o transporte.

O Amarelinho Expresso, só vai parar em uma única parada que não pertence aos terminais. Esse ponto está localizado em frente a Rodoviária da cidade e que – coincidentemente – é a parada que eu pego o ônibus.

Por isso, em homenagem a esse grande momento, farei textos paralelos a coluna principal, mas com textos breves menos sofisticados, mais rápidos, apenas reflexões, ou seja… ‘Expressos’.

Inauguro então as crônicas ‘Amarelinhas Expresso’, explicando o título.

Esses dias fiquei muito emocionado. As mortes em Brumadinho, a dos meninos da base do flamengo e de Ricardo Boechat, me deixaram chocado. A morte é algo ainda inevitável e  é o destino de todos.

Mas por que alguns tem que chegar mais rápido ao seu destino, sendo que seu legado poderia ser bem maior?

22 de fevereiro de 2019

Quatro gotas de adoçante

Desde a faculdade eu como coxinha com Fanta no café-da-manhã. Pois é… Sem querer parecer indelicado, estamos em pleno estado de direito. E – no gozo de minhas prerrogativas de cidadão livre – entupo minhas coronárias com o que eu quiser. Grato.

Descobri uma padaria perto de casa que tem coxinha feita na hora. Juro. Aquelas coxinhas que ficam dentro daquele trapézio de vidro, quente por dentro são, digamos, fresquinhas. Na maioria das padarias só o pão-de-queijo não é dormido. Nestas… quando se pede coxinha, eles a levam para o micro-ondas antes de servir, transformando uma ‘coxinha-de-ontem’ numa ‘comida-do-satanás’.

E nestas horas… só mandando bala na maionese e na pimenta para aquilo poder descer - além da Fanta - arrematando-se o repasto com água com gás num copo com bem muito gelo e um sonho-de-valsa.

Viver é bom... Mas voltemos à padaria perto de casa.

É que lá, além da coxinha de frango com catupiry (deve haver um estudo para entender a mente de quem come coxinha de frango sem catupiry) tem também bolovo fresquinho. Um bolovo tem o aspecto parecido com o da coxinha, sendo porém arredondado e não em forma de gota como sua colega.

Dentro da casca de fritura há, como se supõe, um ovo cozido no qual é salpicada uma pequena porção de carne moída. De comer rezando. Já eu como pedindo perdão, porque qualquer dia desses Deus perde a paciência comigo.

De tal sorte que esta padoca só não é perfeita por duas coisas: primeiro porque ainda não tem pizza fresquinha de manhã. Segundo, porque tem uma clientela muito estranha, que não respeita o cardápio do estabelecimento.

E isto causa certos constrangimentos…

Dia desses eu cheguei para tomar café. Só tinha esfirra e os infalíveis pães-de-queijo. Paciência. Pedi esfirra.

"E para beber, Parmêra?" (os simpáticos balconistas dispõem de um talento inato de sempre acertarem o time dos clientes. É impressionante.) "Fanta Uva". Ele fez uma cara estranha e me deu a esfirra.

Nisso, chegou um do meu lado. Pediu um chocolate quente - tava um calor da bexiga. A partir daí a humanidade baixou por lá. E tome pedidos off-label, sempre berrados pelo balconista ao chapeiro ou ao tirador de café:

“Pão na chapa sem apertar!”

“Canoa com requeijão!”

O que diabos é um pão-canoa?

“Americano sem alface!”

Americano tem alface?

“Café com espuma de leite, mas só um pouquinho de espuma!”

Se vier com muita não é só tirar com a colherinha?

“Minas quente com orégano!”

Borracha com orégano…

“Vitamina mista com paçoca-rolha!”

Essa me apeteceu…

“Churrasco com vinagrete no francês!”

Opa! Um dos meus… Fui olhar e era um sujeito magrelo, vestido de ciclista, até de capacete. Odiar um estranho a esta hora do dia é ruim. Mas pode acontecer.

É claro que isso acontece não só nesta, mas em qualquer padaria, em qualquer lugar e época. Tem até um samba do Noel Rosa onde um sujeito se dirige ao garçom despejando pedidos, "faça o favor de me trazer depressa uma boa média que não seja requentada, um pão bem quente com manteiga à beça, um guardanapo e um copo d´água bem gelada, feche a porta da direita com muito cuidado, que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol, vá perguntar ao seu freguês do lado qual foi o resultado do futebol". Eu ainda tenho pena do garçom quando ouço.

O fato é que minha esfirra já passava da metade e a pimenta, por conta da falta da bebida,  já ia tomando proporções mexicanas. Tive que admoestar o gente-fina do balcão:

- Meu rei, ...

Ele nem deixou que eu terminasse.

- Vixe, sua bebida! Desculpa, fera, mas é o quê mesmo?

Achei que se eu complicasse, iria sair mais rápido…

- Abacaxi com hortelã, batido com pouco gelo e quatro gotas de adoçante.

Ok… não é bem meu estilo de suco mas só queria que saísse depressa. O balconista berrou o pedido fazendo questão de repetir "com quatro gotas de adoçante para ele aqui", e me apontava como se convocasse um julgamento público para o gorducho que pedia suco com adoçante.

O suco estava bom. E, confirmando meu palpite, veio bem rapidinho.

12 de fevereiro de 2019

A morte de Ricardo Boechat

Talvez seja melhor começar o texto da forma como ele mesmo provavelmente faria… com a informação objetiva e direta. Sendo assim, a informação é essa: um helicóptero sofreu uma pane e caiu na região da Rodovia Anhanguera, na altura do km 7 do Rodoanel. Na queda, a aeronave se chocou com um caminhão na pista. Com a explosão, os dois tripulantes morreram. Entre as vítimas, o jornalista Ricardo Boechat.

Precisei de algum tempo para processar a informação… e a explicação é simples. Boechat é uma das minhas grandes referências, seja no jornalismo, seja nos princípios éticos (mesmo considerando o episódio do grampo telefônico em 2001, que resultou em sua demissão da Rede Globo… ele falou sobre isso em uma entrevista para o UOL – leia aqui uma versão atualizada da mesma entrevista), seja na vida em geral.

E digo isso (a vida em geral) por uma razão… assim como eu, Boechat também foi acometido pela depressão. E ele enfrentou a doença com dignidade, de frente e falou abertamente sobre o assunto. Durante meus surtos depressivos, e em busca de informações sobre como enfrentar a doença, eu me deparei com seu relato e com a transparência como ele tratou o assunto. Mas o texto não é para falar de mim, e sim do meu xará.

[ A trajetória de Ricardo Boechat ]

Ricardo Eugênio Boechat é natural de Buenos Aires, nascido em 13/07/1952. Filho de diplomata, ele não chegou a concluir o 2º Grau (atual Ensino Médio) e sua formação jornalística é essencialmente prática.

Iniciou sua vida profissional aos 16 anos vendendo livros e material para escritório. Pouco depois, recebeu uma oportunidade para trabalhar na redação do extinto jornal Diário de Notícias.

Apesar da formação prática, esta não impediu Boechat de conquistar credibilidade e seu lugar de destaque no jornalismo. Com o tempo, assumiu a coluna de Ibrahim Sued no jornal ‘O Globo’ e tornou-se um dos mais respeitados jornalistas no Brasil.

Também passou pelas redações do ‘Jornal do Brasil’, ‘O Estado de São Paulo’ e também da revista ‘Istoé’.

Em 2001, após uma polêmica em torno de um escândalo no setor de telefonia, Boechat foi desligado das organizações Globo.

A saída conturbada da Globo fez com que Boechat tivesse que se reinventar. Posteriormente, foi contratado pelo grupo Bandeirantes para atuar no jornalismo do veículo. Em 2005, iniciou sua vida como radialista, na BandNews do Rio de Janeiro. Pouco depois, assumiu a apresentação do Jornal da Band.

Também era palestrante e ministrava cursos livres de jornalismo. Curso este aliás, que eu tive a honra de participar.

Sempre enérgico e contundente em suas opiniões, seus colegas próximos eram unânimes em afirmar que Boechat era um exemplo de doçura como pessoa. Generoso em suas relações pessoais, e nas palavras do jornalista William Bonner, Boechat foi um colecionador de amigos por onde passou.

E também um colecionador de prêmios… foi reconhecido com o prêmio Esso de jornalismo em três oportunidades: 1989, 1992 e 2001. Também foi reconhecido pelo ‘Portal Comunique-se’, sendo premiado nas edições de 2006, 2007, 2008, 2010, 2012, 2013, 2014 e 2017. Ainda foi considerado pelo ‘Portal dos Jornalistas’ como o jornalista mais admirado do país em 2014 e 2015. E ainda foi agraciado com o Troféu Imprensa como melhor apresentador de telejornal no ano de 2016.

[ A repercussão ]

Por ocasião da notícia de sua morte, os veículos de comunicação foram unânimes em apontar Ricardo Boechat como um dos maiores expoentes do jornalismo brasileiro. Uma referência que deixa uma lacuna insubstituível. Entre homenagens e honrarias, o bonito gesto da BandNews em aposentar sua cadeira no jornal. Ainda vimos uma salva interminável de palmas pelas redações de jornalismo da Rede Bandeirantes de Televisão.

E vimos vários jornalistas de emissoras concorrentes noticiando o triste fato com a voz embargada…

Ricardo Boechat era casado com Veruska Seibel Boechat e deixou 6 filhos, sendo 2 deles oriundos do relacionamento com Veruska. ou ‘Doce Veruska’, como ele mesmo insistia em dizer. Uma relação linda, que ele mesmo fazia questão de demonstrar…

E como não se divertir com o seu amor pelo seu carro favorito? O Renault Twingo 2001 era o seu amor automotivo. O carro surgiu em sua vida quando ele veio para São Paulo. O primeiro, um modelo prata fabricado em 2001. O carro sofreu um acidente em 2014 e foi doado por Boechat a um artista plástico que fez várias peças de arte com as sobras do carro.

Mas é claro que Boechat não ficou muito tempo sem sua paixão. Pouco depois, um novo Twingo. Desta vez, um modelo azul. Também 2001.

 

Sua simplicidade e talento fez com que eu me tornasse fã do seu trabalho e também da pessoa. Sempre me divertia com suas diabruras em frente ao microfone (como não se lembrar da briga com o Pastor Malafaia???). Ou suas brincadeiras em relação a sua falta de traquejo com a tecnologia?

Imagina esse homem fazendo Podcast? Seria fenomenal…

O UBQ está em luto… perdemos – ou melhor – eu, como editor deste blog perdi uma das minhas maiores referências jornalísticas. E da mesma forma que a BandNews, precisarei de um tempo por aqui…

Vá em paz e obrigado pelos seus ensinamentos, xará…




17 de janeiro de 2019

Meu emprego é insubstituível? (Crônicas Amarelinhas #8)

Durante minhas merecidas férias, fiz algumas viagens. Eu diria deslocamentos entre um local e outro… apenas isso. No caminho, é muito evidente a quantidade significativa de caminhões nas estradas. Vendo isso, me veio em mente, algumas reportagens e pesquisas que vi a um tempo atrás. São os caminhões autônomos.

Pois é, provavelmente, teremos frotas de caminhões movidos por GPS e controlados por máquinas. Isso talvez, ocorra muito em breve. Mas e o caminhoneiro? Pra onde vai?

As reportagens sobre essas novas máquinas, podem ter surgido na época da greve dos caminhoneiros em 2017. Na época não dei muita atenção, mas pensei nisso atualmente.
Para aonde vão essas grandes quantidades de pessoas que não tem uma formação profissional diferente e possivelmente perderam seus empregos para seus próprios caminhões?

Você pode pensar e dizer que é culpa dessa mudança, se dá pelo novo mercado econômico e pelo desenvolvimento da tecnologia. Dessa forma, não há o que se fazer. Nós temos que nos adequar ao futuro.

Quando eu era menor, participei da transição da máquina de escrever para o computador. Não fiz o famoso essencial (para a época) curso de datilografia. Um pouco depois a datilografia deixou de ser importante. Quer dizer, o datilógrafo aprendeu a usar o computador, suas condições de vida e saúde foram melhoradas e a vida seguiu, uma nova profissão surgiu.

E o caminhoneiro? Vai substituir sua profissão e sua mão de obra, pelo que? O mundo está preparado para dar uma formação diferente a esse tipo de indivíduo? Qual vai ser essa nova profissão ao antigo caminhoneiro? “Que cilada, Bino...”

Também vi por essa semana, no programa da Fatima Bernardes. Em que uma “especialista” (como se prever o futuro fosse uma profissão) dizia que em pouco tempo, algo em torno de 60% dos empregos de hoje não existiram mais.

Apesar do choque inicial, isso não é algo raro ou incomum. Alfaiates, sapateiros, ferreiros, engraxates, entre outros, estão cada vez mais raros e sem mais serventia. Dessa forma será que meu emprego é insubstituível? Minha formação profissional será eterna?

Hoje ainda, mesmo depois do fim da paralização. Estamos sofrendo reflexos, econômicos, sociais e políticos da greve dos caminhoneiros. Mas e amanhã? Quantas greves serão suficientes para que meu emprego e trabalho tenham relevância novamente?

Quanto de tempo de paralização trará ao meu trabalho dignidade e importância?

17 de dezembro de 2018

Então é Natal (Crônicas Amarelinhas Especial de Natal)

Escrever para as crônicas Amarelinhas é algo que me dá prazer e estresse ao mesmo tempo. Prazer por conseguir colocar no papel (computador) angústias e aspirações minhas, que me causam reflexões. Estresse é por achar algo relevante para ser escrito, tendo um bom fundamento e deixando uma boa mensagem.

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Por livre e espontânea pressão quero falar do Natal (NOTA DO EDITOR: bom… talvez só um pouquinho de pressão).

Mais que uma festa cristã, o natal envolve muitas pessoas e muitos significados. Seja comercial, seja espiritual, seja social ou filosófico. As pessoas transformam suas vidas, se tornam mais caridosas, carinhosas e sensíveis. São tempos de paz, de amor e de gastar dinheiro com presentes.

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Por mim tudo aceitável.

Quando adolescente eu tinha uma missão de Natal. Acordava bem cedo, não para ganhar presentes, mas sim para distribuir balas para as crianças do meu bairro. Isso mesmo, usávamos toucas natalinas enquanto um dos membros do grupo de amigos do meu pai, se vestia de Papai Noel.

O objetivo era entregar balas e doces para as crianças da comunidade. Íamos em caminhões ou camionetes, onde riamos, contávamos piadas (eu escutava na maioria delas), passávamos calor (principalmente o Papai Noel) e distribuímos os pacotes com balas compradas por nós mesmos. Existia uma regra, nunca jogue as balas, entregue nas mãos das crianças.

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O tempo foi passando, as coisas foram ficando mais difíceis e o projeto foi encerrado. Até hoje não sei o por que. Será que as pessoas perderam o espírito natalino? Será que precisamos do Natal para se ter o espírito natalino?

Confesso que não sou fã do Natal, principalmente pelo fato de que as pessoas se tornam melhores apenas nessa data. Todos estão em uma mesma sintonia, fazer o bem…

Mas por que só no Natal?

Depositar dinheiro em caixinhas, para frentistas, para porteiros, para faxineiros, para entregadores, isso é Natal? Porque só no Natal?

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Isso já não é aceitável…

Então é Natal, e o que você fez? O ano termina e começa outra vez... em que o espírito natalino só surge em dezembro, no mesmo mês que eu prometo que serei mais organizado no ano seguinte.

Isso mesmo… tudo se repete… igual ao CD da Simone nas lojas em época de Natal.

(NOTA DO EDITOR: eu pretendia incluir o clipe da música ao final do texto… mas em consideração ao Luiz, vou poupá-lo disto)

10 de dezembro de 2018

Qual será a idade ideal? (Crônicas Amarelinhas #6)

Em tempos de classificação indicativa para as crianças, limitando o que elas podem ou não ver, presenciei uma cena, que me chamou muito a atenção e me deixou bem reflexivo.

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Indo para o trabalho, observei uma mãe levando suas filhas para escola (mais tarde descobri que era uma filha e uma sobrinha da mulher), tudo normal, até então…

As meninas tinham por volta de 5 ou 6 anos. O que tinha de diferente era o batom das meninas, bem chamativo por sinal. Duas meninas, de idade pré-escolar, com maquiagem, de manhã cedo?

Peço desculpa, pelo meu espanto, mas fiquei bem impressionado. Uma criança pode usar maquiagem? A partir de quantos anos uma criança pode usar? Por que uma criança usa maquiagem para ir à escola? Maquiagem, como é sabido por todos, é algo cultural, usado pela humanidade em várias culturas para demonstrar aos demais algum sentimento, característica ou vontade.

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Na sociedade em que vivemos, maquiagem é usada para ocasiões de festas e eventos para ressaltar a beleza das pessoas. Geralmente tal prática é feita por adultos, pois ressaltar e valorizar a beleza é uma atitude de “gente grande”. Dessa forma, qual o motivo para que uma criança use maquiagem? Ressaltar a beleza, também?

Será que estamos deixando nossas crianças adultas muito cedo? Como educador, sempre tive ressalvas com relação as creches e escolas de educação infantil. Não por não confiar no trabalho dos professores, mas por colocarmos independência e maturidade muito cedo a uma criança. Ao mesmo tempo que estamos preparando ela para o futuro, podemos estar preparando ela para o futuro cedo demais.

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No passado – e não muito distante – a criança sempre foi vista como uma adulto em miniatura. Apesar de tal conceito ter mudado, talvez a ideia antiga pode estar presente ainda. Seja no jeito de se vestir, de falar, de se maquiar ou se relacionar. Isso é por nossa causa, os ditos “adultos”.

Ser criança é tão bom. Uma fase maravilhosa de descobertas, experiências e vivencias novas, seja no mundo real, seja no mundo imaginário. Para que pulamos isso?

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Depois de adultos, nos comportamos, agimos e pensamos como crianças. Nossa nostalgia está em todos os lugares. Por isso penso em outra questão, qual seria a idade ideal, para ser simplesmente uma criança?

26 de novembro de 2018

Eu poderia estar roubando… (Crônicas Amarelinha #5)

No último fim de semana, fui visitar uma bela cidade turística aqui nas proximidades e consegui pegar uns bons dias de sol, tendo a oportunidade de andar na beira mar desta cidade e apreciar a praia, a areia e as belezas naturais.

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Não quero falar, necessariamente, das belezas naturais, mas sim das pessoas. Ao andar por poucos metros, bem no coração da praia, vi muitas pessoas bem distintas. Em um primeiro momento vi vários idosos.

Realmente o pessoal da terceira idade se faz muito presente na praia. Principalmente nesse período que ainda não é considerado alta temporada. O pessoal que está aposentado, gosta de frequentar esses ambientes, para gastar e se divertir.

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Além dessas figuras, me destacou também, um grande número de pedintes, moradores de rua e pessoas “avulsas”. Os considerados excluídos da sociedade, estavam lá. Dormindo nos bancos, deitados na porta do shopping, manobrando veículos, circulando entre um ponto e outro, esperando uma oportunidade de ganhar um dinheiro (de forma lícita ou ilícita), para comprar comida, ou até drogas (lícitas ou ilícitas).

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Talvez o meu destaque seja algo rotineiro e comum nas grandes cidades. Mas não deveria ser. Não é possível que seja normal ter um exército de pessoas, em idade apropriada para o trabalho, que não estão trabalhando. Mas estão por aí, sem grandes objetivos. Esse é um sério problema social, o que falta para essas pessoas?

Será que lhes falta emprego? Será que lhes falta conhecimento para o mercado de trabalho? Será que lhes falta vontade de trabalhar? Será que lhes falta condições para sustentar seus vícios? Será que lhes falta acolhimento familiar?

Conversando com pessoas, que conhecem essa realidade, ouvi o relato de que o governo contrata um ônibus (ou algo similar), recolhe essas pessoas, consideradas “avulsas” e os leva para outro lugar. Ou seja, durante a alta temporada do verão, esse problema deixa de existir. Os turistas então não percebem o problema, só percebem as belezas e as atrações da cidade. Portanto, problemas social resolvido, não é mesmo?

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Resolvido, até surgirem outros pedintes, mendigos e desempregados, no próximo ano e o ciclo começar de novo. Novamente os invisíveis se tornam visíveis, até ficarem invisíveis de novo e te abordarem na rua, dizendo as seguintes palavras “Eu poderia ter sumido...”

5 de novembro de 2018

Você é aquilo o que você posta? (Crônicas Amarelinhas #3)

Em 06 de maio de 2017 postei em minhas redes sociais a seguinte frase:

“Questão filosófica, você é o que você pública nas Redes Sociais?”
Luiz Filipe Pereira, via rede social do livro das faces.

Como não sou tão popular nas redes sociais, não recebi milhares de curtidas ou comentários, apenas alguns amigos que realmente refletiram minha intenção e deixaram seus comentários.

Adorei isto por sinal… e acho que por razão parecida, escrevo para esse blog.

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Pois bem… Após esse período, não creio que meu círculo de amizades virtuais tenha efetivamente mudado depois desta reflexão. Logicamente, seguimos modelos e padrões de outras pessoas, que eu chamo de “modismo”. Esses modelos e padrões estabelecidos por algumas pessoas, são replicados e retransmitidos por uma grande parcela de indivíduos nas redes sociais.

Isso mesmo, existem pessoas (gente de verdade, carne e osso) que alimentam as redes sociais, por mais que a internet seja povoada – aparentemente por robôs – existem seres vivos que demonstram alguns fatos de suas vidas nas redes sociais.

Após as eleições, achei que iria ter uma rede social de paz e tranquilidade, que ia ver apenas fotos de comidas, praias, cachorros e academias.

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Mas não… parece que estou andando em um campo minado, sem explosivos, mas com milhares de imagens e vídeos sobre política, ódio, desinformação, ignorância, vitimizações, entre outras dezenas de coisas. A eleição não passou – e na verdade não, vai passar – acho que as redes sociais ganharam um rumo bem diferente do que deveria ser.

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Vendo filmes e documentários sobre as redes sociais, percebi que a ideia ainda é boa. Você pode falar com pessoas mesmo a distância. Pode rever amigos que não encontra mais. Pode mostrar e expor suas felicidades e alegrias para que outros possam te ajudar

Parece muito bom, não é? Mas acho que isso acabou…

Se eu postei (que vem do inglês “post” e o Brasil fez disso um neologismo) algo nas minhas redes virtuais, isso é o que realmente eu sou? Qual o meu objetivo com isso? Serve para dar um recado para alguém? Serve para que aquela pessoa leia e se sinta mal? Serve para que eu diga àquela “celebridade” (ou pseudo-celebridade, é outra invencionice da linguagem coloquial, mas este eu gosto de usar), que ela não me representa e que eu odeio tudo o que ela faz, pelo simples fato de eu odiar?

Tudo isso é você mesmo?

Vejo brigas, processos, tristezas, problemas de relacionamento, dor e sofrimento, violência e muita… mas muita ignorância. E vejo isso, não porque eu sou o inteligente ou intelectual, que sabe tudo sobre tudo mas por ver pessoas refletindo mentiras e ofensas de formar gratuita, com uma única justificação:

“Só estou compartilhando”.

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Agora deixa eu te perguntar uma coisa. Depois de ler tudo isso… Depois de você se identificar (ou não!) com tudo o que eu coloquei… Depois de refletir bem sobre o assunto… Me responda sinceramente uma coisa:

Você é o que você pública nas Redes Sociais?

29 de outubro de 2018

Qual o Limite? (Crônicas Amarelinhas #2)

Tenho o privilégio e/ou desprazer de morar em frente a uma praça. Digo privilégio, por poder ter acesso a uma área com brinquedos infantis, mesinhas, quiosques, quadras esportivas, algo muito raro nas cidades do nosso país.

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Já o desprazer é por que tenho que conviver com outras pessoas em um ambiente de consumo de drogas lícitas e ilícitas, violência e alguns elementos, como esse exemplo:

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À primeira vista é bem engraçado. Mas eu, como sempre, comecei a descascar essa cebola de dezenas de camadas (citei o filme do Shrek mesmo). Surge em meu pensamento, uma coisa que nos dias de hoje estamos discutindo a todo momento, qual o limite das coisas?

Eu explico. Primeiramente, qual o limite da arte? Pichação é arte? Resposta difícil. Não por ser feio, não por ser transgressor, não por ser um crime. A arte segundo os manuais da vida é a expressão de um indivíduo ou de um grupo. Nesse caso, expressão através da tinta sobre algo (como uma placa de inauguração) que representa a urbanidade, chamada de pichação. Então, isso é arte?

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Estabeleci em minha vida um critério para isso. Só é arte, se você não passa por cima da arte dos outros. Explico com exemplos. Um Busto de uma personalidade histórica, por mais que seja alguém não muito popular, é arte. Se eu expressar minha arte (pichando), sobre a arte de outro, estou desvalorizando a arte original e a minha arte. Estou sendo antiético e menosprezando a arte em si. Um prédio, uma casa, um monumento são elementos artísticos sim, representam a expressão e o sentido de um arquiteto, de um projetista ou de um simples e humilde pedreiro. Me expressar sobre a arte de um colega é antiético sim e não é arte.

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Em segundo lugar, levanto outra questão, qual o limite do humor? Falar de religião é humor? A piada descrita na pichação que ilustra o início deste texto mostra que o humor pode bater de frente com elementos considerados incontestáveis da nossa sociedade (como política, religião e o futebol).

O humor ataca e defende tudo que o envolve, é uma crítica aberta a sociedade em que vivemos. Se você não aceita o humor, ficará bem frustrado e poderá ser a chacota de outras pessoas.

Nesse também estabeleci um critério, acho que o humor não tem limites. Diferente da pichação, o humor tem o objetivo de divertir e descontrair. Fazer piadas, não deveriam ofender ninguém. O nobre leitor, poderá me condenar por isso, mas eu explico. O humor tem que transitar por todos os elementos da sociedade. Pois ele é uma ferramenta de transformação dos status quo. Talvez sem o humor, coisas cotidianos não teriam nenhum sentido de serem feitas.

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As pessoas dizem que as verdades são faladas nas brincadeiras, mas, essa máxima não é verdade, o humor não é isso. Como eu disse, a piada serve apenas para divertir, essa é sua função social. Dizer que Jesus me ama por que não me conhece não vai fazer eu ser mais ou menos cristão. Rir de si mesmo, rir da vida, rir dos seus problemas, é uma solução para enfrentar a vida.

Histórias difíceis, problemas pessoais, problemas de relacionamento eu sempre enfrentei-os de forma bem humorada. Contar histórias da minha vida, dos meus problemas, em forma de humor, sempre me fizeram bem. Talvez, querido leitor, encarar a vida dessa forma, faz com que as coisas aconteçam de uma forma melhor e mais prazerosa.

15 de outubro de 2018

O que se ganha sendo um idiota? (Crônicas Amarelinhas #1)

NOTA DO EDITOR: Com você, nosso novo colunista do UBQ, o Luiz Filipe Mattos. Ele é de Cricíuma/SC, historiador e advogado. A partir de agora, contaremos com o talento dele aqui para a coluna “Crônicas Amarelinhas”. E por que, “Crônicas Amarelinhas”? Bom… isso você terá que aguardar a sonora do Luiz em nosso próximo Um Papo Qualquer para entender o mistério, combinado? Bora lá?

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Estava almoçando após mais um dia normal de trabalho, sentado na parte externa de um restaurante. Quando observei uma cena digna de filmes dos anos 80, em que o jovem/adolescente mais velho, comete atos de bullying com o garoto mais novo. Nos filmes tal atitude se dá pelo fato de ele ser maior e mais forte e com a ideia de impressionar as garotas. Mas contrariando tal enredo, o nosso protagonista (que nesse caso é o praticante do ato) não era maior, nem mais forte e nem haviam garotas para serem impressionadas.

Vamos aos fatos. Uma criança de idade por volta de 10 a 11 anos, jogava futebol em sua casa, quando a bola caiu para o lado de fora da casa, indo parar no canto da rua. Nesse mesmo tempo passavam dois adolescentes, com idades entre 15 e 16 anos, provavelmente voltando para casa após a aula.

Um dos adolescentes, o protagonista (ou antagonista, se o leitor for adepto do maniqueísmo), foi em direção a bola e pegou-a na mão. Neste mesmo instante, o dono da bola, já estava debruçado no muro, provavelmente pedindo para o adolescente que entregasse a bola pra ele (não consegui ouvir os dizeres de ambos, em virtude da distância que estavam de mim).

O nosso protagonista então em posse da bola, não titubeou e ao invés de devolver a bola na mão do legítimo proprietário, deu um chute na bola para cima com a intenção de jogar a bola mais longe ainda do que ela já estava. Sendo que a distancia dos dois no primeiro momento era de apenas 3 ou 2 metros.

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A bola fez uma parábola (parábola com bola, não foi intencional, ou foi) no ar, batendo no muro e caindo novamente para o lado de fora da casa. Como a sacanagem já não fosse suficiente, o rapaz que jogou a bola, se aproximou dela, que estava mais longe do que incialmente, dando a entender que iria pegar a bola e devolver de forma civilizada. Mas ele então desistiu e foi embora. Só restou ao dono da bola, pular o muro, busca-lá e voltar para sua casa. Percebi que o rapaz mais jovem, não esboçou nenhum tipo de protesto ou reclamação. A sensação que tive é que ele já estava acostumado com isso.

Voltei a comer, depois do espanto inicial e comecei a refletir. O que um jovem ganha com essa atitude? Qual a sua recompensa? Qual o seu objetivo ao não devolver a bola? Será que todos os adolescentes tomariam a mesma atitude? Era simples, pegar a bola na mão, andar 3 passos e devolver, mas não. Outras perguntas surgem, quem é culpado disso? A escola? A família? O adolescente?

Não sei responder nenhuma dessas perguntas e isso é frustrante. Enquanto pensamos no futuro de nosso país, com medidas que irão atingir a coletividade, talvez esquecemos de tomar providências com o foco no indivíduo, principalmente para aqueles que irão aproveitar mais esse país no futuro.

3 de setembro de 2018

Cheguei aos 44 anos…

Alguns dizem que a vida começa aos 40… outros dizem que você nunca é velho demais para realizar seus sonhos. Existem também aqueles que desencantaram pelo mundo e acham que chegaram ao ponto em que começa a descida da ladeira…

Pessoalmente, parei de me preocupar com isso já tem um tempo.

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Alguns acham piegas escrever sobre o próprio aniversário. Sim… hoje, 03 de setembro, é meu aniversário. E completo neste ano, 44 anos de idade. Nem tão velho, mas já não tão jovem.

Apesar de hoje eu estar um pouco saudosista a ponto de falar de meu aniversário, não é a primeira vez que escrevo sobre isso por aqui. Nem foram tantas vezes assim. Uma vez, escrevi sobre meus quarenta anos de idade. Depois, só fui escrever novamente aos 42 anos. Pelo visto, estou criando o hábito de escrever sobre meu aniversário a cada dois anos…

O que eu gostaria de fazer hoje? Pois então… não sei.

E eu explico: tenho três caminhos possíveis. O primeiro deles seria olhar para trás e fazer uma profunda reflexão sobre meus erros e acertos até este ponto da minha vida. Seria mais uma vez um grande blá blá blá sobre a perda da faculdade de medicina, o aprendizado na base da tentativa erro e assim por diante.

Eu acho que já fiz isso algumas vezes por aqui… e estou cansado disto.

O segundo caminho poderia ser o oposto do primeiro… olhar para a frente. Usar a experiência acumulada para conceber novas ideias e novos projetos. Um olhar para o futuro… o Ricardo do passado escrevendo para o Ricardo do futuro. Pensar em meus objetivos e metas, traçar estratégias e torcer para conseguir fazer tudo que planejei.

E eu acho que também já fiz isso algumas vezes por aqui… e isto também me cansou.

Em teoria, eu ainda teria uma terceira via… não fazer nada. Optar pelo status-quo e esperar os 45, 46, 47 e assim sucessivamente. Admito que é uma opção tentadora. Deixar de me culpar pelas cagadas do passado e deixar de me cobrar pelos acertos futuros. Parece que isso não me traria problemas.

Mas abster-me de alguma atitude nunca fez parte da minha personalidade. E o status-quo nunca é bom o suficiente para nós. Sempre fica a impressão de que está faltando algo?

Mas afinal, está faltando algo mesmo?

Não tenho absoluta certeza da minha resposta… tenho uma família: minha esposa e filha, meus pais, meus gatos e meu cachorro. Feliz ou não com o que faço, tenho um emprego. Também tenho um teto para morar. Não é exatamente como planejei, mas acomoda bem nossa família.

Também tenho a oportunidade de fazer algumas coisas que gosto. Posso ter minha coleção de Magic: The Gathering, posso fazer meus vídeos no YouTube, meu podcast “Um Papo Qualquer”. Posso expressar minha opinião em meus textos no blog (e também nas outras mídias).

As vezes fico pensando que sou um ingrato por aquilo que tenho de bom. As vezes fico pensando que sou um eterno descontente por não ter as coisas da forma que eu pensei.

Mas a verdade é que nestes 44 anos de vida, eu vivi… errei, acertei, aprendi, desaprendi, falhei, venci. Consegui algumas coisas que desejei, perdi outras que tinha, nunca consegui algumas que sonhei.

Mas acho que neste ponto que cheguei, penso que a vida é assim. Altos e baixos. Ontem pode ter sido bom ou ruim… Amanhã poderá ser melhor ou pior.

Antigamente eu tinha um hábito bem estranho (mesmo…). Um período antes do meu aniversário (uns três meses antes) eu não respondia sobre minha idade atual ao ser questionado sobre ela. Eu sempre respondia algo como “farei tantos anos em setembro”. Sempre esperei que o meu aniversário funcionaria como um ponto de virada. Uma quebra de paradigma… Uma mudança qualquer…

Mas a bem da verdade, acho que isso nunca ocorreu. Nem mesmo quando fiz 18 anos e achava que o mundo estaria mudando a partir daquele ponto.

E este ano eu não pensei nisso. Sinceramente eu praticamente me esqueci do meu aniversário. Deixei os dias passarem, sem me preocupar muito com o 3 de setembro…

E hoje o dia chegou… na verdade, comemorei com a família ontem. Fui à casa da minha mãe e meus pais me ofereceram um jantar. Minha esposa fez um bolo de chocolate com coco (meu preferido), minha filha me deu um papel rabiscado como presente de aniversário. Até meus sobrinhos apareceram para me dar parabéns. Contei histórias… ouvi outras… Dei risada, fiz as pessoas rirem. Minha mãe estava bem e feliz. Minha esposa estava bem e feliz. Mariana brincou e aprontou e sorria… feliz. Até meu pai, sempre meio carrancudo, contou histórias de seus aniversários e se divertiu também.

E quer saber? Foi legal…

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E pensar que no mesmo dia eu também subi no telhado para consertar uma caixa d’água e arrumei um chuveiro quebrado.

Acho que chegar aos 44 anos me trouxe isto: aprendi que devo apenas viver e aceitar o que vier… de bom e de ruim…  as vezes rir, chorar, lamentar por algo que não saiu como esperado, comemorar por algo que funcionou. Enfim… viver.

E ainda que eu não tenha me recuperado totalmente de minha depressão (e tenho a sensação que ainda estou longe desta recuperação plena), ontem eu tive um dia bom. Um dia legal.

Estou satisfeito por chegar aos 44 anos com tudo que ganhei e com tudo o que perdi. Precisava ser deste jeito…

Obrigado para você que chegou até aqui. Até nosso próximo encontro!

26 de março de 2018

Afinal, comprar na China vale mesmo a pena?

O e-commerce atualmente é uma realidade consolidada. Levante a mão aquele que nunca fez ou pensou em fazer uma compra on-line. São tantas opções de mercado e muitas vezes com preços bem atraentes que é inevitável não considerar uma compra on-line.

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Muitas lojas no Brasil se tornaram gigantes nessa modalidade. A B2W (dona das marcas Americanas.com, Submarino e Shoptime) talvez seja uma grande referência neste mercado. Lojas tradicionais também têm seu braço virtual… é o caso do Walmart, Carrefour (que chegou a abandonar o e-commerce há alguns anos, mas retornou), Saraiva e o grupo CNova (responsável pelas marcas Ponto Frio, Extra e Casas Bahia). Enfim, são muitas as opções.

Outra área em ascensão é o das Marketplaces: portais de vendas que congregam vários lojistas que anunciam seus produtos sob uma única marca. O pioneiro aqui no Brasil é o Mercado Livre, mas mesmo as lojas tradicionais do comércio eletrônico também aderiram à moda. De certa forma, é uma maneira de criar alguma resistência a gigante que aos poucos está chegando no Brasil. A Amazon começou por aqui timidamente, vendendo apenas seus produtos digitais, mas nos últimos anos ampliou sua participação para outros setores, usando a estrutura do marketplace.

Mas a internet é um fenômeno que é capaz de sobrepor barreiras, inclusive as geográficas. E observando isso, temos por aqui outro fenômeno: as lojas chinesas.

Nomes como Gearbest, Bang Good, DX, Ali Express já são comuns quando falamos em compras virtuais. Inclusive surgiram vários canais no YouTube especializados em apresentar produtos destas lojas, funcionando como verdadeiras vitrines virtuais.

Aliás, recentemente, eu fiz um vídeo com meus comentários sobre estes canais. Em princípio, eles se apresentam como “canais de tecnologia”, mas na verdade usam sua exposição para anunciar produtos que recebem por meio de parcerias com estas lojas . BeTech, Android4All, RSSV, Brasil Geeks, Geek Antenado, Dudu Rocha e muitos outros vivem disso: recebem produtos das lojas, fazem a resenha e anunciam o link para compra. A partir daí eles são comissionados pelas vendas.

O que eu acho? Bom… é um modo de ganhar a vida… mas me incomoda esta roupagem de canal de tecnologia que a maioria deles assume. A verdade pura e simples é: são canais que funcionam como vitrines eletrônicas. E de novo… nada contra… existe demanda para isso e assim, todos ficam satisfeitos. Só acho que poderiam se assumir como vitrine. Seria mais ético.

Mas a pergunta que eu me fiz já tem algum tempo: será que vale a pena comprar na China? Quais as vantagens e desvantagens?

A resposta é simples: DEPENDE. A explicação para a resposta não é tão simples. Mas é o que vou tentar fazer neste texto.

A melhor maneira de verificar isto seria uma aplicação prática. Então, fui à compras… Fiz uma lista de produtos que eu tinha interesse (e que cabiam em meu orçamento) e fiz a compra pelos sites chineses.

[ Oferta de produtos ]

Este é um ponto positivo, pois conseguimos acesso a bons produtos que nem sempre estão no Brasil ou então, quando estão, são vendidos pelos camelôs virtuais do Mercado Livre a preços pouco competitivos.

É o caso da pulseira MiBand 2 da Xiaomi. Eu adquiri duas pelo site da Gearbest ao custo unitário de R$ 60. Por aqui, você não encontra estas pulseiras por menos de R$ 120.

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Você encontra também produtos úteis que nem sempre são fáceis de encontrar por aqui… é o caso de um suporte para headphone que comprei por R$ 20. Os suportes que encontrei por aqui não saiam por menos de R$ 50. Como era um produto que eu não tinha urgência, compensou a compra.

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Para alguns produtos, existem barreiras alfandegárias. Por exemplo, você não consegue adquirir um Powerbank da Xiaomi, pois o envio é restrito…

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Mas nesse caso específico, acho que não compensa, pois temos variedade deste produto por aqui a um preço bem semelhante…

[ Qualidade e preço dos produtos ]

Aqui o ponto é sensível… porque eu recebi produtos muito bons, como é o caso das MiBand 2 e também do suporte para o headphone. Um outro produto bacana que recebi e de boa qualidade é a luminária LED da Xiaomi… boa, barata e funcional.

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Mas outros produtos deixaram bastante a desejar. Obviamente o preço era um indicador de que eu não teria um produto que primasse pela sua qualidade, mas sinceramente, fiquei com aquela sensação de produto de camelô, que funciona só por 1 final de semana. Foi o caso dos relógios que adquiri por respectivamente R$ 11 e R$ 26. O primeiro simplesmente desmontou na minha mão ao retirar da embalagem (literalmente), sem contar que sua pulseira lembra um material semelhante à espuma que não inspira durabilidade. Já o segundo simplesmente não serve no meu pulso, e além disso ele tem falhas no acabamento da pulseira.

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Ok… o que eu poderia esperar por um relógio que custou menos de R$ 30? A mensagem aqui é: não se iluda com os preços baixos.

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[ Tempo de envio ]

Aqui, uma dose de paciência é necessária. Muito necessária. Para se ter uma ideia todas as compras (à exceção do suporte para headphone) foram feitas em outubro de 2017. Por se tratar de uma importação, as encomendas precisam ser desembaraçadas na alfândega em Curitiba (que é onde chegam as encomendas internacionais). E neste ponto pode ocorrer a taxação.

Funciona assim, o auditor fiscal recebe o produto e avalia se ele ultrapassa os limites estabelecidos pela receita federal e em caso positivo ocorre a taxação do produto em até 60% do valor estimado. Veja bem, eu disse “valor estimado” e não valor real.

Isso acontece porque muita gente tem a prática de solicitar a alteração da declaração de venda (o invoice coming). Os espertinhos compram um produto por, digamos, US$ 200, mas pedem que no invoice venham informado apenas US$ 20.

As vezes funciona, as vezes não…

O auditor fiscal tem a prerrogativa de fiscalizar o produto, podendo até abrir a embalagem para conferir se o descritivo do invoice coming bate com o produto. Caso o auditor perceba alguma maracutaia, além da taxação ocorre a autuação, com a cobrança de multa fiscal para desembaraço da mercadoria.

E se a mercadoria for ilegal, pior pra quem comprou, porque neste caso o produto é apreendido e você perde tudo o que pagou, além de responder civil e criminalmente, conforme o caso.

Fato é que eu nunca fui taxado… mas também considere que eu fiz compras sempre com valores baixos (o maior valor foi o Selfie Stick que custou R$ 66). Mas a espera foi de matar…

Eu comecei a receber os produtos somente no começo de janeiro/2018. Ok… teve uma greve da alfândega, mas tem produto que até hoje eu não recebi… no caso, um relógio com bluetooth e um selfie stick da Xiaomi… até o momento em que escrevo este texto (26/03/2018), nenhum sinal deles.

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O sistema de rastreamento é muito confuso. Mas achei uma solução bacana que é o aplicativo Muambator (é um jabá, porque ninguém está me pagando para mencionar isso). Com o aplicativo é possível rastrear as encomendas de modo mais intuitivo. E segundo eles, o relógio já está no Brasil e foi liberado sem taxação, mas nada dele ser encaminhado.

Já o selfie stick eu não sei… simplesmente porque o código de rastreamento não funcionou. Só funciona em um site chinês que informa que o produto também já está no Brasil. Mas sinceramente, eu acho que neste caso, o produto foi extraviado na cadeia logística dos correios.

A única exceção a tudo isto foi o suporte para headphone. Eu o comprei em 04/02/2018 e chegou em minhas mãos bem rápido: em 11/03/2018.

Sim… mais de um mês… é o preço que pagamos por querer pagar barato, combinando isso com uma estrutura logística confusa no Brasil.

[ Vale a pena ? ]

Após algumas compras, a sensação que eu tive é que estes sites chineses ora se comportam como uma loja virtual de grande qualidade e ora se comportam como um grande camelô virtual com produtos de qualidade bem duvidosa.

Indiscutivelmente existem produtos bons oferecidos por ali. Eu não saberia opinar quando aos eletrônicos (como celulares, câmeras, drones e outros produtos) porque honestamente me falta verba para as aquisições e também não acho uma boa ideia comprar um produto sem nenhum tipo de garantia aqui no Brasil. Mas isto é uma opinião pessoal.

Acho que vale a pena quando você pretende comprar um produto de difícil acesso aqui no Brasil. Temos boas ofertas de eletrônicos por aqui que não justificam a compra em um site chinês. O tempo para entrega também é um fator considerável que pode tornar sua experiência ruim. E uma eventual taxação pode fazer com que o barato saia caro.

Para miudezas em geral e produtos que você só encontra no camelódromo do Mercado Livre, talvez seja uma boa opção, mas para outros produtos, acredito que confiar no mercado nacional regularmente (e legalmente) estabelecido por aqui talvez seja mais interessante.

Você tem uma opinião diferente? Quer contribuir com suas experiências? Tem algum questionamento? Coloque aí nos comentários o que você acha desta história toda.

A gente se vê no próximo texto!

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