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25 de fevereiro de 2019

Mais rápido ao seu destino (Amarelinhas Expresso #1)

NOTA DO EDITOR: em razão da interrupção extraordinária das atividades do UBQ na semana em que ocorreu o falecimento do jornalista Ricardo Boechat, alguns textos tiveram sua publicação postergada. O editor agradece a compreensão da ‘Redação UBQ’ e também dos nossos leitores.

Esta semana, voltei a minha rotina normal de trabalho. Mais uma vez, estou usando o transporte público que dá nome e inspiração aos textos aqui no blog. Mas, nesta semana fui surpreendido. Por isso, a mudança do título e do conteúdo deste texto.

Agora, alguns dos ônibus troncais (amarelinhos), que trafegam entre os terminais urbanos de transporte, receberam um adesivo com a palavra “Expresso” de forma estilizada. E pelo nome, já dá pra imaginar sua função... estes ônibus terão a função, de somente fazer paradas nos terminais, com a finalidade de agilizar o transporte.

O Amarelinho Expresso, só vai parar em uma única parada que não pertence aos terminais. Esse ponto está localizado em frente a Rodoviária da cidade e que – coincidentemente – é a parada que eu pego o ônibus.

Por isso, em homenagem a esse grande momento, farei textos paralelos a coluna principal, mas com textos breves menos sofisticados, mais rápidos, apenas reflexões, ou seja… ‘Expressos’.

Inauguro então as crônicas ‘Amarelinhas Expresso’, explicando o título.

Esses dias fiquei muito emocionado. As mortes em Brumadinho, a dos meninos da base do flamengo e de Ricardo Boechat, me deixaram chocado. A morte é algo ainda inevitável e  é o destino de todos.

Mas por que alguns tem que chegar mais rápido ao seu destino, sendo que seu legado poderia ser bem maior?

12 de fevereiro de 2019

A morte de Ricardo Boechat

Talvez seja melhor começar o texto da forma como ele mesmo provavelmente faria… com a informação objetiva e direta. Sendo assim, a informação é essa: um helicóptero sofreu uma pane e caiu na região da Rodovia Anhanguera, na altura do km 7 do Rodoanel. Na queda, a aeronave se chocou com um caminhão na pista. Com a explosão, os dois tripulantes morreram. Entre as vítimas, o jornalista Ricardo Boechat.

Precisei de algum tempo para processar a informação… e a explicação é simples. Boechat é uma das minhas grandes referências, seja no jornalismo, seja nos princípios éticos (mesmo considerando o episódio do grampo telefônico em 2001, que resultou em sua demissão da Rede Globo… ele falou sobre isso em uma entrevista para o UOLleia aqui uma versão atualizada da mesma entrevista), seja na vida em geral.

E digo isso (a vida em geral) por uma razão… assim como eu, Boechat também foi acometido pela depressão. E ele enfrentou a doença com dignidade, de frente e falou abertamente sobre o assunto. Durante meus surtos depressivos, e em busca de informações sobre como enfrentar a doença, eu me deparei com seu relato e com a transparência como ele tratou o assunto. Mas o texto não é para falar de mim, e sim do meu xará.

[ A trajetória de Ricardo Boechat ]

Ricardo Eugênio Boechat é natural de Buenos Aires, nascido em 13/07/1952. Filho de diplomata, ele não chegou a concluir o 2º Grau (atual Ensino Médio) e sua formação jornalística é essencialmente prática.

Iniciou sua vida profissional aos 16 anos vendendo livros e material para escritório. Pouco depois, recebeu uma oportunidade para trabalhar na redação do extinto jornal Diário de Notícias.

Apesar da formação prática, esta não impediu Boechat de conquistar credibilidade e seu lugar de destaque no jornalismo. Com o tempo, assumiu a coluna de Ibrahim Sued no jornal ‘O Globo’ e tornou-se um dos mais respeitados jornalistas no Brasil.

Também passou pelas redações do ‘Jornal do Brasil’, ‘O Estado de São Paulo’ e também da revista ‘Istoé’.

Em 2001, após uma polêmica em torno de um escândalo no setor de telefonia, Boechat foi desligado das organizações Globo.

A saída conturbada da Globo fez com que Boechat tivesse que se reinventar. Posteriormente, foi contratado pelo grupo Bandeirantes para atuar no jornalismo do veículo. Em 2005, iniciou sua vida como radialista, na BandNews do Rio de Janeiro. Pouco depois, assumiu a apresentação do Jornal da Band.

Também era palestrante e ministrava cursos livres de jornalismo. Curso este aliás, que eu tive a honra de participar.

Sempre enérgico e contundente em suas opiniões, seus colegas próximos eram unânimes em afirmar que Boechat era um exemplo de doçura como pessoa. Generoso em suas relações pessoais, e nas palavras do jornalista William Bonner, Boechat foi um colecionador de amigos por onde passou.

E também um colecionador de prêmios… foi reconhecido com o prêmio Esso de jornalismo em três oportunidades: 1989, 1992 e 2001. Também foi reconhecido pelo ‘Portal Comunique-se’, sendo premiado nas edições de 2006, 2007, 2008, 2010, 2012, 2013, 2014 e 2017. Ainda foi considerado pelo ‘Portal dos Jornalistas’ como o jornalista mais admirado do país em 2014 e 2015. E ainda foi agraciado com o Troféu Imprensa como melhor apresentador de telejornal no ano de 2016.

[ A repercussão ]

Por ocasião da notícia de sua morte, os veículos de comunicação foram unânimes em apontar Ricardo Boechat como um dos maiores expoentes do jornalismo brasileiro. Uma referência que deixa uma lacuna insubstituível. Entre homenagens e honrarias, o bonito gesto da BandNews em aposentar sua cadeira no jornal. Ainda vimos uma salva interminável de palmas pelas redações de jornalismo da Rede Bandeirantes de Televisão.

E vimos vários jornalistas de emissoras concorrentes noticiando o triste fato com a voz embargada…

Ricardo Boechat era casado com Veruska Seibel Boechat e deixou 6 filhos, sendo 2 deles oriundos do relacionamento com Veruska. ou ‘Doce Veruska’, como ele mesmo insistia em dizer. Uma relação linda, que ele mesmo fazia questão de demonstrar…

E como não se divertir com o seu amor pelo seu carro favorito? O Renault Twingo 2001 era o seu amor automotivo. O carro surgiu em sua vida quando ele veio para São Paulo. O primeiro, um modelo prata fabricado em 2001. O carro sofreu um acidente em 2014 e foi doado por Boechat a um artista plástico que fez várias peças de arte com as sobras do carro.

Mas é claro que Boechat não ficou muito tempo sem sua paixão. Pouco depois, um novo Twingo. Desta vez, um modelo azul. Também 2001.

 

Sua simplicidade e talento fez com que eu me tornasse fã do seu trabalho e também da pessoa. Sempre me divertia com suas diabruras em frente ao microfone (como não se lembrar da briga com o Pastor Malafaia???). Ou suas brincadeiras em relação a sua falta de traquejo com a tecnologia?

Imagina esse homem fazendo Podcast? Seria fenomenal…

O UBQ está em luto… perdemos – ou melhor – eu, como editor deste blog perdi uma das minhas maiores referências jornalísticas. E da mesma forma que a BandNews, precisarei de um tempo por aqui…

Vá em paz e obrigado pelos seus ensinamentos, xará…




17 de dezembro de 2018

Então é Natal (Crônicas Amarelinhas Especial de Natal)

Escrever para as crônicas Amarelinhas é algo que me dá prazer e estresse ao mesmo tempo. Prazer por conseguir colocar no papel (computador) angústias e aspirações minhas, que me causam reflexões. Estresse é por achar algo relevante para ser escrito, tendo um bom fundamento e deixando uma boa mensagem.

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Por livre e espontânea pressão quero falar do Natal (NOTA DO EDITOR: bom… talvez só um pouquinho de pressão).

Mais que uma festa cristã, o natal envolve muitas pessoas e muitos significados. Seja comercial, seja espiritual, seja social ou filosófico. As pessoas transformam suas vidas, se tornam mais caridosas, carinhosas e sensíveis. São tempos de paz, de amor e de gastar dinheiro com presentes.

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Por mim tudo aceitável.

Quando adolescente eu tinha uma missão de Natal. Acordava bem cedo, não para ganhar presentes, mas sim para distribuir balas para as crianças do meu bairro. Isso mesmo, usávamos toucas natalinas enquanto um dos membros do grupo de amigos do meu pai, se vestia de Papai Noel.

O objetivo era entregar balas e doces para as crianças da comunidade. Íamos em caminhões ou camionetes, onde riamos, contávamos piadas (eu escutava na maioria delas), passávamos calor (principalmente o Papai Noel) e distribuímos os pacotes com balas compradas por nós mesmos. Existia uma regra, nunca jogue as balas, entregue nas mãos das crianças.

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O tempo foi passando, as coisas foram ficando mais difíceis e o projeto foi encerrado. Até hoje não sei o por que. Será que as pessoas perderam o espírito natalino? Será que precisamos do Natal para se ter o espírito natalino?

Confesso que não sou fã do Natal, principalmente pelo fato de que as pessoas se tornam melhores apenas nessa data. Todos estão em uma mesma sintonia, fazer o bem…

Mas por que só no Natal?

Depositar dinheiro em caixinhas, para frentistas, para porteiros, para faxineiros, para entregadores, isso é Natal? Porque só no Natal?

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Isso já não é aceitável…

Então é Natal, e o que você fez? O ano termina e começa outra vez... em que o espírito natalino só surge em dezembro, no mesmo mês que eu prometo que serei mais organizado no ano seguinte.

Isso mesmo… tudo se repete… igual ao CD da Simone nas lojas em época de Natal.

(NOTA DO EDITOR: eu pretendia incluir o clipe da música ao final do texto… mas em consideração ao Luiz, vou poupá-lo disto)

10 de dezembro de 2018

Qual será a idade ideal? (Crônicas Amarelinhas #6)

Em tempos de classificação indicativa para as crianças, limitando o que elas podem ou não ver, presenciei uma cena, que me chamou muito a atenção e me deixou bem reflexivo.

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Indo para o trabalho, observei uma mãe levando suas filhas para escola (mais tarde descobri que era uma filha e uma sobrinha da mulher), tudo normal, até então…

As meninas tinham por volta de 5 ou 6 anos. O que tinha de diferente era o batom das meninas, bem chamativo por sinal. Duas meninas, de idade pré-escolar, com maquiagem, de manhã cedo?

Peço desculpa, pelo meu espanto, mas fiquei bem impressionado. Uma criança pode usar maquiagem? A partir de quantos anos uma criança pode usar? Por que uma criança usa maquiagem para ir à escola? Maquiagem, como é sabido por todos, é algo cultural, usado pela humanidade em várias culturas para demonstrar aos demais algum sentimento, característica ou vontade.

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Na sociedade em que vivemos, maquiagem é usada para ocasiões de festas e eventos para ressaltar a beleza das pessoas. Geralmente tal prática é feita por adultos, pois ressaltar e valorizar a beleza é uma atitude de “gente grande”. Dessa forma, qual o motivo para que uma criança use maquiagem? Ressaltar a beleza, também?

Será que estamos deixando nossas crianças adultas muito cedo? Como educador, sempre tive ressalvas com relação as creches e escolas de educação infantil. Não por não confiar no trabalho dos professores, mas por colocarmos independência e maturidade muito cedo a uma criança. Ao mesmo tempo que estamos preparando ela para o futuro, podemos estar preparando ela para o futuro cedo demais.

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No passado – e não muito distante – a criança sempre foi vista como uma adulto em miniatura. Apesar de tal conceito ter mudado, talvez a ideia antiga pode estar presente ainda. Seja no jeito de se vestir, de falar, de se maquiar ou se relacionar. Isso é por nossa causa, os ditos “adultos”.

Ser criança é tão bom. Uma fase maravilhosa de descobertas, experiências e vivencias novas, seja no mundo real, seja no mundo imaginário. Para que pulamos isso?

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Depois de adultos, nos comportamos, agimos e pensamos como crianças. Nossa nostalgia está em todos os lugares. Por isso penso em outra questão, qual seria a idade ideal, para ser simplesmente uma criança?

9 de novembro de 2018

Palhaços

Há um tango interpretado por Nelson Gonçalves que assevera:

"É um palhaço todo homem que não sabe envelhecer, que não sabe impor silêncio ao maldito coração".
Nelson Gonçalves in “Palhaço” (by Herivelto Martins e David Nasser)

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Pois que envelhecer é se deixar governar não pelo coração, mas por tudo que não é ele: pelas articulações dolorosas, pelos óculos - os quais cada vez mais fundamentais, pelos exames de laboratório que medem nossos parâmetros metabólicos, pelos médicos que nos tratam, cada vez mais novos. Tão moços, pobres moços, estes médicos. Ah, se soubessem o que eu sei.

O cerne do envelhecimento está em se deixar dominar pelo corpo todo e dominar por fim e inauditamente o coração. Durante toda a juventude nos perdemos pelos descaminhos e ditames do infante coração, mas a velhice nos reserva a plenipotência sobre ele, o órgão antagonista do bom senso.

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Impor silêncio às gritarias daquele que nos diz do caminho sempre errado a seguir, que faz com deixemos "o céu por ser escuro", para irmos "ao inferno em busca de luz." Fazer com que se recolha à função de bomba. Entender que sonhos são apenas descargas do inconsciente, que tem sim lá sua importância mas que devem se confinados ao recôndito da noite devendo ser mortos à luz da aurora, eis os imperativos da maturidade.

É lógico que é preciso crer. É preciso crer em Deus, na Redenção, dada pela disciplina, pela renúncia e pelo desapego. A verdadeira paz repousa em nossas mentes e aguarda nossos passos firmes e coesos para vicejar. Basta que não olhemos para trás.

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A Providência nos impôs o nascimento e a juventude, mas nos presenteou com a velhice, onde, fora da contaminação dos sonhos, podemos contemplar, uma vez fartos das nossas, as desgraças do mundo que não nos pertencem.

5 de novembro de 2018

Você é aquilo o que você posta? (Crônicas Amarelinhas #3)

Em 06 de maio de 2017 postei em minhas redes sociais a seguinte frase:

“Questão filosófica, você é o que você pública nas Redes Sociais?”
Luiz Filipe Pereira, via rede social do livro das faces.

Como não sou tão popular nas redes sociais, não recebi milhares de curtidas ou comentários, apenas alguns amigos que realmente refletiram minha intenção e deixaram seus comentários.

Adorei isto por sinal… e acho que por razão parecida, escrevo para esse blog.

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Pois bem… Após esse período, não creio que meu círculo de amizades virtuais tenha efetivamente mudado depois desta reflexão. Logicamente, seguimos modelos e padrões de outras pessoas, que eu chamo de “modismo”. Esses modelos e padrões estabelecidos por algumas pessoas, são replicados e retransmitidos por uma grande parcela de indivíduos nas redes sociais.

Isso mesmo, existem pessoas (gente de verdade, carne e osso) que alimentam as redes sociais, por mais que a internet seja povoada – aparentemente por robôs – existem seres vivos que demonstram alguns fatos de suas vidas nas redes sociais.

Após as eleições, achei que iria ter uma rede social de paz e tranquilidade, que ia ver apenas fotos de comidas, praias, cachorros e academias.

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Mas não… parece que estou andando em um campo minado, sem explosivos, mas com milhares de imagens e vídeos sobre política, ódio, desinformação, ignorância, vitimizações, entre outras dezenas de coisas. A eleição não passou – e na verdade não, vai passar – acho que as redes sociais ganharam um rumo bem diferente do que deveria ser.

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Vendo filmes e documentários sobre as redes sociais, percebi que a ideia ainda é boa. Você pode falar com pessoas mesmo a distância. Pode rever amigos que não encontra mais. Pode mostrar e expor suas felicidades e alegrias para que outros possam te ajudar

Parece muito bom, não é? Mas acho que isso acabou…

Se eu postei (que vem do inglês “post” e o Brasil fez disso um neologismo) algo nas minhas redes virtuais, isso é o que realmente eu sou? Qual o meu objetivo com isso? Serve para dar um recado para alguém? Serve para que aquela pessoa leia e se sinta mal? Serve para que eu diga àquela “celebridade” (ou pseudo-celebridade, é outra invencionice da linguagem coloquial, mas este eu gosto de usar), que ela não me representa e que eu odeio tudo o que ela faz, pelo simples fato de eu odiar?

Tudo isso é você mesmo?

Vejo brigas, processos, tristezas, problemas de relacionamento, dor e sofrimento, violência e muita… mas muita ignorância. E vejo isso, não porque eu sou o inteligente ou intelectual, que sabe tudo sobre tudo mas por ver pessoas refletindo mentiras e ofensas de formar gratuita, com uma única justificação:

“Só estou compartilhando”.

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Agora deixa eu te perguntar uma coisa. Depois de ler tudo isso… Depois de você se identificar (ou não!) com tudo o que eu coloquei… Depois de refletir bem sobre o assunto… Me responda sinceramente uma coisa:

Você é o que você pública nas Redes Sociais?

30 de outubro de 2018

O Brasil está pronto para lidar com Bolsonaro?

Ok… acordei na manhã de segunda-feira (após mais uma das minhas terríveis noite de insônia) e aparentemente o mundo não acabou. Após um processo eleitoral acalorado e dicotômico, as eleições 2018 trouxeram mudanças importantes. E estas mudanças são agressivas e extremas. Mas em meio a tudo isso, uma questão fulcral…

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Os resultados são definitivos… mas são relativos. Bolsonaro venceu a eleição com 57.797.847 votos. Haddad teve 47.040.906 votos. Ainda tivemos uma abstenção de 31.371.704 eleitores, 2.486.593 votos brancos e 8.608.105 votos nulos.

Considerando então somente os ELEITORES HABILITADOS, Bolsonaro teve 39,2% dos votos… O que significa que 60,8% dos eleitores não votaram no Bolsonaro. Em uma conta prática… nenhum presidente se elege com a maioria do povo.

Mas apesar disso, ele precisa governar para todos. E aí está uma tarefa bem difícil.

Eu usei este mesmo argumento por conta da eleição de Dilma Roussef em 2010. Governar não é tarefa fácil. Mesmo porque ninguém governa sozinho. Há um senado, uma câmara de deputados, governadores… é uma federação de estados, com vários partidos políticos… E conseguir fazer este povo todo conversar de modo consensual… como eu disse, não é tarefa fácil.

Observando a posição da ideologia derrotada, que não teve sequer a dignidade de cumprimentar seu adversário por ocasião de sua vitória (e só o fez no dia seguinte por pressão da mídia), percebo que a tarefa será dura. A chamada “oposição” promete ser dura e muitas vezes intransigente.

A verdade é que não sabemos como será o governo Bolsonaro. Existem muitas especulações. Muita gente cagando regra e definindo que tudo sairá errado. Isto é temerário. E o pior é que o PT e seus aliados sinalizam uma oposição obstrutiva e até mesmo destrutiva.

Espero do fundo do coração que o PT e aliados não voltem a fazer aquela oposição merda querendo barrar tudo, não importando se é algo bom ou ruim. Pior do que uma administração ruim é uma oposição burra.

Eu de fato não sei se o Brasil está pronto para o Bolsonaro… mas vejo que a oposição precisa se preparar para ele. Para questionar quando necessário, para objetar se for este o recurso.

E o Brasil? Onde entra nesta história?

Bom… deveriam pensar que estão num avião em pleno vôo. E que neste momento, o piloto do avião atende pelo nome de Jair Bolsonaro. E isto deve funcionar como estímulo para que o governo dê certo. Porque durante o vôo, duvido que algum passageiro torça pelo fracasso do piloto.


29 de outubro de 2018

Qual o Limite? (Crônicas Amarelinhas #2)

Tenho o privilégio e/ou desprazer de morar em frente a uma praça. Digo privilégio, por poder ter acesso a uma área com brinquedos infantis, mesinhas, quiosques, quadras esportivas, algo muito raro nas cidades do nosso país.

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Já o desprazer é por que tenho que conviver com outras pessoas em um ambiente de consumo de drogas lícitas e ilícitas, violência e alguns elementos, como esse exemplo:

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À primeira vista é bem engraçado. Mas eu, como sempre, comecei a descascar essa cebola de dezenas de camadas (citei o filme do Shrek mesmo). Surge em meu pensamento, uma coisa que nos dias de hoje estamos discutindo a todo momento, qual o limite das coisas?

Eu explico. Primeiramente, qual o limite da arte? Pichação é arte? Resposta difícil. Não por ser feio, não por ser transgressor, não por ser um crime. A arte segundo os manuais da vida é a expressão de um indivíduo ou de um grupo. Nesse caso, expressão através da tinta sobre algo (como uma placa de inauguração) que representa a urbanidade, chamada de pichação. Então, isso é arte?

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Estabeleci em minha vida um critério para isso. Só é arte, se você não passa por cima da arte dos outros. Explico com exemplos. Um Busto de uma personalidade histórica, por mais que seja alguém não muito popular, é arte. Se eu expressar minha arte (pichando), sobre a arte de outro, estou desvalorizando a arte original e a minha arte. Estou sendo antiético e menosprezando a arte em si. Um prédio, uma casa, um monumento são elementos artísticos sim, representam a expressão e o sentido de um arquiteto, de um projetista ou de um simples e humilde pedreiro. Me expressar sobre a arte de um colega é antiético sim e não é arte.

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Em segundo lugar, levanto outra questão, qual o limite do humor? Falar de religião é humor? A piada descrita na pichação que ilustra o início deste texto mostra que o humor pode bater de frente com elementos considerados incontestáveis da nossa sociedade (como política, religião e o futebol).

O humor ataca e defende tudo que o envolve, é uma crítica aberta a sociedade em que vivemos. Se você não aceita o humor, ficará bem frustrado e poderá ser a chacota de outras pessoas.

Nesse também estabeleci um critério, acho que o humor não tem limites. Diferente da pichação, o humor tem o objetivo de divertir e descontrair. Fazer piadas, não deveriam ofender ninguém. O nobre leitor, poderá me condenar por isso, mas eu explico. O humor tem que transitar por todos os elementos da sociedade. Pois ele é uma ferramenta de transformação dos status quo. Talvez sem o humor, coisas cotidianos não teriam nenhum sentido de serem feitas.

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As pessoas dizem que as verdades são faladas nas brincadeiras, mas, essa máxima não é verdade, o humor não é isso. Como eu disse, a piada serve apenas para divertir, essa é sua função social. Dizer que Jesus me ama por que não me conhece não vai fazer eu ser mais ou menos cristão. Rir de si mesmo, rir da vida, rir dos seus problemas, é uma solução para enfrentar a vida.

Histórias difíceis, problemas pessoais, problemas de relacionamento eu sempre enfrentei-os de forma bem humorada. Contar histórias da minha vida, dos meus problemas, em forma de humor, sempre me fizeram bem. Talvez, querido leitor, encarar a vida dessa forma, faz com que as coisas aconteçam de uma forma melhor e mais prazerosa.

15 de outubro de 2018

O que se ganha sendo um idiota? (Crônicas Amarelinhas #1)

NOTA DO EDITOR: Com você, nosso novo colunista do UBQ, o Luiz Filipe Mattos. Ele é de Cricíuma/SC, historiador e advogado. A partir de agora, contaremos com o talento dele aqui para a coluna “Crônicas Amarelinhas”. E por que, “Crônicas Amarelinhas”? Bom… isso você terá que aguardar a sonora do Luiz em nosso próximo Um Papo Qualquer para entender o mistério, combinado? Bora lá?

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Estava almoçando após mais um dia normal de trabalho, sentado na parte externa de um restaurante. Quando observei uma cena digna de filmes dos anos 80, em que o jovem/adolescente mais velho, comete atos de bullying com o garoto mais novo. Nos filmes tal atitude se dá pelo fato de ele ser maior e mais forte e com a ideia de impressionar as garotas. Mas contrariando tal enredo, o nosso protagonista (que nesse caso é o praticante do ato) não era maior, nem mais forte e nem haviam garotas para serem impressionadas.

Vamos aos fatos. Uma criança de idade por volta de 10 a 11 anos, jogava futebol em sua casa, quando a bola caiu para o lado de fora da casa, indo parar no canto da rua. Nesse mesmo tempo passavam dois adolescentes, com idades entre 15 e 16 anos, provavelmente voltando para casa após a aula.

Um dos adolescentes, o protagonista (ou antagonista, se o leitor for adepto do maniqueísmo), foi em direção a bola e pegou-a na mão. Neste mesmo instante, o dono da bola, já estava debruçado no muro, provavelmente pedindo para o adolescente que entregasse a bola pra ele (não consegui ouvir os dizeres de ambos, em virtude da distância que estavam de mim).

O nosso protagonista então em posse da bola, não titubeou e ao invés de devolver a bola na mão do legítimo proprietário, deu um chute na bola para cima com a intenção de jogar a bola mais longe ainda do que ela já estava. Sendo que a distancia dos dois no primeiro momento era de apenas 3 ou 2 metros.

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A bola fez uma parábola (parábola com bola, não foi intencional, ou foi) no ar, batendo no muro e caindo novamente para o lado de fora da casa. Como a sacanagem já não fosse suficiente, o rapaz que jogou a bola, se aproximou dela, que estava mais longe do que incialmente, dando a entender que iria pegar a bola e devolver de forma civilizada. Mas ele então desistiu e foi embora. Só restou ao dono da bola, pular o muro, busca-lá e voltar para sua casa. Percebi que o rapaz mais jovem, não esboçou nenhum tipo de protesto ou reclamação. A sensação que tive é que ele já estava acostumado com isso.

Voltei a comer, depois do espanto inicial e comecei a refletir. O que um jovem ganha com essa atitude? Qual a sua recompensa? Qual o seu objetivo ao não devolver a bola? Será que todos os adolescentes tomariam a mesma atitude? Era simples, pegar a bola na mão, andar 3 passos e devolver, mas não. Outras perguntas surgem, quem é culpado disso? A escola? A família? O adolescente?

Não sei responder nenhuma dessas perguntas e isso é frustrante. Enquanto pensamos no futuro de nosso país, com medidas que irão atingir a coletividade, talvez esquecemos de tomar providências com o foco no indivíduo, principalmente para aqueles que irão aproveitar mais esse país no futuro.

24 de setembro de 2018

As minhas ilusões

“Não abandone as suas ilusões. Sem elas, pode continuar a existir, mas deixará de viver.” (Mark Twain)

Nem sempre os dias são bons… nem sempre temos boas coisas para contar. Não é minha intenção contar coisas ruins com este texto. Mas considerando os dias complicados que estou tendo por aqui, acho que preciso desabafar as caraminholas em algum lugar…

Sendo assim…

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Os últimos dias não foram fáceis… continuo afastado do meu trabalho na escola, mas também não estou produzindo nenhum conteúdo por aqui… nem textos, nem vídeos, nem podcasts.

Estas coisas deveriam funcionar como uma terapia adicional para mim. Na verdade, por conta de todo este meu esforço criando textos informativos e/ou de opinião, vídeos, análises, reviews de produtos, além de visitas a eventos, eu passei a acreditar na ideia de que eu poderia me tornar um jornalista. Ou algo próximo a isso.

Esta ideia surgiu no lugar de outra… a de ser médico. No caso da medicina, estive um pouco mais perto. Afinal de contas, eu cheguei a cursar a faculdade. Entretanto, não fiz as coisas certas, deixei de levar a sério o que realmente era importante e como resultado, bom… não cheguei a me tornar médico.

Por um bom tempo eu alimentei o sonho de me tornar médico. Acreditei que poderia com o tempo reunir as condições necessárias para retornar e terminar minha história por lá.

Mas o tempo passou, a idade chegou e muitas mudanças de planos depois eu passei a ver tudo isto como uma ilusão. Percebi que aos 44 anos, casado, pai de uma garotinha e sem grandes reservas financeiras, não poderia levar o plano adiante. Seriam 6 anos de faculdade, sem contar o período para ingressar novamente. Seria exigir demais da minha família.

Neste meio tempo eu escrevi… comecei a escrever para de alguma forma expor minhas ideias e minhas opiniões. Muitas vezes eu misturava as opiniões com as reflexões e assim surgiram meus textos reflexivos e intimistas.

Mas entre uma reflexão e outra, havia espaço para opinar, pesquisar, informar. O fato é que o meu blog cresceu e se transformou naquilo que hoje é o UBQ. Para minha sorte, além dos meus textos, estão ali as ideias de outras pessoas. Suas opiniões e pitacos. E então, graças a pessoas como Michel Vieira, Júnior Ferreira, Carlos Aros, Miguel Forlin, Emerson Deienno e outros que já emprestaram um pouco de seu talento para o UBQ, eu criei uma espécie de portal de conteúdos. Certamente, o UBQ já não é mais tão somente um blog.

Contagiado por isso, e também pelo meu desejo de produzir conteúdo, resolvi lançar um canal no YouTube. Como toda resolução tomada sob empolgação, comecei a investir em equipamentos para gravação e assim já são mais de 130 vídeos. Consegui algum público em quase dois anos de produção e cheguei a quase 360 inscritos. Muito longe de grandes produtores, mas muito significativo para mim.

Pouco depois, veio o mundo dos podcasts… primeiro com o Podástico, depois com o Um Papo Qualquer. Acho que fiquei bom nisso. Os podcasts não são um sucesso de público, mas tem uma boa audiência. E o legal é que fazer podcasts me trouxe a oportunidade de conhecer pessoas bem legais.

Aliás, de todas as coisas que aconteceram nos últimos tempos, isto foi legal… conhecer pessoas.

Aí, vieram as entrevistas, os documentários, os jornalistas, o jornalismo.

E eu comecei a pensar seriamente nesta possibilidade. A possibilidade de ser jornalista. Mas não seria um caminho fácil. Uma nova faculdade seria pouco provável. Para adentrar neste mundo, eu deveria me aprofundar em pesquisa, em conteúdo, em criar novas coisas para este mundo chamado UBQ.

Mas as coisas não estão acontecendo. O UBQ a bem da verdade é apenas um site com bons textos. O meu canal de vídeos é apenas mais um canal de vlog com vídeos onde eu falo sobre minha vida, sobre minhas ideias e sobre minhas opiniões. Eu até consigo alguma visibilidade, mas tenho que ser realista… provavelmente não chegarei a ser maior que isso. E o podcast? Bom… continua ser divertido fazê-lo.

A verdade é que o que tem me faltado é falta de percepção do cenário em que minha vida está. Acho que estou percebendo algo que eu já deveria ter percebido a algum tempo… e acho que está na hora de deixar de lado toda esta confusão mental em que vivo. Deixar de lado todas estas ideias confusas que estão me impedindo de distinguir a aparência da realidade.

A verdade é que todas estas ideias… a medicina, o jornalismo, a ideia de ser um produtor de conteúdo… não passam de ilusões.

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E eu estou cansado de viver baseado em ilusões… a ilusão de que eu seria médico. A ilusão de que eu poderia ser jornalista. A ilusão de que eu sou um produtor de conteúdo.

Estou cansado…

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E por que estou escrevendo isso? Bom… por alguns dias eu pensei sinceramente em encerrar tudo… o blog, o canal de vídeos, o podcast. Deixar as ilusões de lado… cuidar da existência que tenho.

Mas tenho que concordar com Mark Twain… posso continuar a existir sem as minhas ilusões. Mas provavelmente não seria uma existência plena. Não seria uma vida.

Então, apesar de saber que muito provavelmente o UBQ e suas variações sejam apenas um capricho bem intencionado. Não vou mais me enganar quanto a isso. É um passatempo, um hobby, algo para me divertir e entreter.

Sendo assim, continuarei a fazer meus textos e a publicar aqueles que são gentilmente enviados para mim. Também continuarei com meus vídeos e a fazer meus podcasts.

Mas não viverei mais na ilusão de que sou um jornalista ou de que estou a caminho para me tornar um…

E também não viverei a ilusão de que eu posso me tornar médico.

Sou apenas isso… um cara bem intencionado que gosta de escrever, de gravar uns vídeos e também alguns podcasts. Vou manter as ilusões apenas para continuar a vida… A existência não precisa das ilusões… mas a vida precisa.

E isso tudo me fez pensar em outra frase de Mark Twain… “Os dois dias mais importantes da sua vida são: O dia em que você nasceu, e o dia em que você descobre o porquê”. O dia em que eu nasci é fácil.. 03 de setembro de 1974… o porquê estou aqui?

Bom… esta resposta ainda terá que esperar um pouco mais.


3 de setembro de 2018

Cheguei aos 44 anos…

Alguns dizem que a vida começa aos 40… outros dizem que você nunca é velho demais para realizar seus sonhos. Existem também aqueles que desencantaram pelo mundo e acham que chegaram ao ponto em que começa a descida da ladeira…

Pessoalmente, parei de me preocupar com isso já tem um tempo.

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Alguns acham piegas escrever sobre o próprio aniversário. Sim… hoje, 03 de setembro, é meu aniversário. E completo neste ano, 44 anos de idade. Nem tão velho, mas já não tão jovem.

Apesar de hoje eu estar um pouco saudosista a ponto de falar de meu aniversário, não é a primeira vez que escrevo sobre isso por aqui. Nem foram tantas vezes assim. Uma vez, escrevi sobre meus quarenta anos de idade. Depois, só fui escrever novamente aos 42 anos. Pelo visto, estou criando o hábito de escrever sobre meu aniversário a cada dois anos…

O que eu gostaria de fazer hoje? Pois então… não sei.

E eu explico: tenho três caminhos possíveis. O primeiro deles seria olhar para trás e fazer uma profunda reflexão sobre meus erros e acertos até este ponto da minha vida. Seria mais uma vez um grande blá blá blá sobre a perda da faculdade de medicina, o aprendizado na base da tentativa erro e assim por diante.

Eu acho que já fiz isso algumas vezes por aqui… e estou cansado disto.

O segundo caminho poderia ser o oposto do primeiro… olhar para a frente. Usar a experiência acumulada para conceber novas ideias e novos projetos. Um olhar para o futuro… o Ricardo do passado escrevendo para o Ricardo do futuro. Pensar em meus objetivos e metas, traçar estratégias e torcer para conseguir fazer tudo que planejei.

E eu acho que também já fiz isso algumas vezes por aqui… e isto também me cansou.

Em teoria, eu ainda teria uma terceira via… não fazer nada. Optar pelo status-quo e esperar os 45, 46, 47 e assim sucessivamente. Admito que é uma opção tentadora. Deixar de me culpar pelas cagadas do passado e deixar de me cobrar pelos acertos futuros. Parece que isso não me traria problemas.

Mas abster-me de alguma atitude nunca fez parte da minha personalidade. E o status-quo nunca é bom o suficiente para nós. Sempre fica a impressão de que está faltando algo?

Mas afinal, está faltando algo mesmo?

Não tenho absoluta certeza da minha resposta… tenho uma família: minha esposa e filha, meus pais, meus gatos e meu cachorro. Feliz ou não com o que faço, tenho um emprego. Também tenho um teto para morar. Não é exatamente como planejei, mas acomoda bem nossa família.

Também tenho a oportunidade de fazer algumas coisas que gosto. Posso ter minha coleção de Magic: The Gathering, posso fazer meus vídeos no YouTube, meu podcast “Um Papo Qualquer”. Posso expressar minha opinião em meus textos no blog (e também nas outras mídias).

As vezes fico pensando que sou um ingrato por aquilo que tenho de bom. As vezes fico pensando que sou um eterno descontente por não ter as coisas da forma que eu pensei.

Mas a verdade é que nestes 44 anos de vida, eu vivi… errei, acertei, aprendi, desaprendi, falhei, venci. Consegui algumas coisas que desejei, perdi outras que tinha, nunca consegui algumas que sonhei.

Mas acho que neste ponto que cheguei, penso que a vida é assim. Altos e baixos. Ontem pode ter sido bom ou ruim… Amanhã poderá ser melhor ou pior.

Antigamente eu tinha um hábito bem estranho (mesmo…). Um período antes do meu aniversário (uns três meses antes) eu não respondia sobre minha idade atual ao ser questionado sobre ela. Eu sempre respondia algo como “farei tantos anos em setembro”. Sempre esperei que o meu aniversário funcionaria como um ponto de virada. Uma quebra de paradigma… Uma mudança qualquer…

Mas a bem da verdade, acho que isso nunca ocorreu. Nem mesmo quando fiz 18 anos e achava que o mundo estaria mudando a partir daquele ponto.

E este ano eu não pensei nisso. Sinceramente eu praticamente me esqueci do meu aniversário. Deixei os dias passarem, sem me preocupar muito com o 3 de setembro…

E hoje o dia chegou… na verdade, comemorei com a família ontem. Fui à casa da minha mãe e meus pais me ofereceram um jantar. Minha esposa fez um bolo de chocolate com coco (meu preferido), minha filha me deu um papel rabiscado como presente de aniversário. Até meus sobrinhos apareceram para me dar parabéns. Contei histórias… ouvi outras… Dei risada, fiz as pessoas rirem. Minha mãe estava bem e feliz. Minha esposa estava bem e feliz. Mariana brincou e aprontou e sorria… feliz. Até meu pai, sempre meio carrancudo, contou histórias de seus aniversários e se divertiu também.

E quer saber? Foi legal…

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E pensar que no mesmo dia eu também subi no telhado para consertar uma caixa d’água e arrumei um chuveiro quebrado.

Acho que chegar aos 44 anos me trouxe isto: aprendi que devo apenas viver e aceitar o que vier… de bom e de ruim…  as vezes rir, chorar, lamentar por algo que não saiu como esperado, comemorar por algo que funcionou. Enfim… viver.

E ainda que eu não tenha me recuperado totalmente de minha depressão (e tenho a sensação que ainda estou longe desta recuperação plena), ontem eu tive um dia bom. Um dia legal.

Estou satisfeito por chegar aos 44 anos com tudo que ganhei e com tudo o que perdi. Precisava ser deste jeito…

Obrigado para você que chegou até aqui. Até nosso próximo encontro!

19 de maio de 2018

Sonhos de uma noite em que não tive insônia

Quem me conhece sabe que eu sofro de um problema crônico…Insônia.

E eu já nem me lembro quando isto começou. Não foi culpa da internet ou da televisão. Eu simplesmente sofro de insônia… uma insônia persistente que atrapalha muito minhas noites…

Mas, em raras ocasiões, ocorre de eu dormir e dormir bem. E até sonhar… pois é…

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Alguns especialistas dizem que sonhamos todas as noites, mas a questão é que nem sempre nos lembramos aquilo que sonhamos.

Bom… hoje eu dormi… e dormi bem… das 20:30 até as 05:00… São mais de 9 horas de sono… tempo suficiente para descansar… e sonhar.

E o mais engraçado, é que eu me lembro do que sonhei hoje. Nada muito complexo ou escabroso. Foram sonhos aparentemente desconexos… E em razão de algo tão inusitado ter acontecido (eu dormir… dormir bem, sonhar e ainda por cima lembrar do sonho), resolvi colocar no papel aquilo que sonhei, antes que os detalhes me escapem pela memória.

E lembre-se… são apenas sonhos…

[ Sonho 1 – Exercício ilegal de profissão ]

Eu estava em um conjunto de escritórios… algumas salas que estavam sendo esvaziadas por algumas pessoas em um daqueles conjuntos típicos de sobreloja. Eu andava de uma sala para outra enquanto observava o movimento das pessoas. Depois de um tempo, percebi que estavam desmontando o que seria uma escola de informática… levavam computadores,, mesas e cadeiras, equipamentos de aulas. Inevitável não me lembrar das minhas experiências anteriores (afinal de contas, eu trabalhei por 8 anos como instrutor de informática) em escolas assim. De certa forma, eu estava satisfeito em ver mais uma daquelas escolas de bairro que só serviam para pegar dinheiro em troca de uma formação fraca fechando as portas…

Em algum momento, descubro que a tal escola está saindo dali por uma razão específica: eu era o novo locatário do espaço.

Por que diabos eu alugaria um conjunto de salas, eu não faço a menor ideia… mas o fato é que após uma passagem de tempo (que em sonhos nunca são precisas), eu vi aquele espaço convertido em pequenos consultórios de atendimento médico.

Com o detalhe importante: eu tinha consciência que não era médico formado. Mas estava ali, com direito a um jaleco e a um estetoscópio. Eu lembro de olhar para as paredes das salas buscando desesperadamente por um diploma em medicina que justificasse tudo aquilo.

E aí para o meu terror, entra em minha sala (oras… meu consultório) um novo cliente… digo… paciente.

E o que fazer? Acomodei o paciente, sentei em minha cadeira e atendi o cidadão… ele relatou sintomas e em seguida eu o examinei… e enquanto conduzia a consulta, eu tentava lembrar de detalhes das minhas aulas de semiologia médica nos tempos da faculdade.

Enquanto a consulta progredia eu examinava detalhes da sala… uma sala simples daquelas criadas com divisórias de fórmica bege claro, mesa, cadeiras, uma maca, um pequeno armário com alguns remédios. Nem mesmo uma plantinha ou quadro para decoração.

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Terminei a consulta e dispensei o paciente… não lembro de prescrever nada, nem preencher ficha médica, ou então algum receituário… mas lembro do paciente sair satisfeito…

Ao sair da sala, percebi que havia mais de um consultório  e que havia até mesmo uma pequena recepção…

Eu estava em pânico (no sonho)… como eu poderia estar ali?

Em seguida, peguei meu celular e mandei uma mensagem para o meu amigo Michel (médico de verdade). Eu não poderia manter aquilo tudo sem um médico de verdade… e me lembro de que queria mandar uma mensagem mais ou menos assim:

“Quer clinicar aqui na região da zona lesta? Consultório disponível. Despesas por minha conta"

E assim, o sonho acabou…

[ Sonho 2 – Passeio de carro ]

Este é curto… eu estava dirigindo um carro e minha esposa Ana Paula me fazia companhia. Acho que fazíamos um trajeto pela região da Marginal Tietê. Conversávamos banalidades.

E é engraçado como em alguns sonhos temos consciência de algumas coisas… eu lembro que ficava pensando quem estava com a nossa filha Mariana enquanto nós estávamos no carro.

Em determinado momento, tive a impressão de que algumas pontes da marginal estavam sendo desativadas e desmontadas… pouco tempo depois, entramos em um grande campo gramado e vários corretores de imóveis estava com suas tendas e quiosques ali.

Desembarcamos do carro e descobrimos que os corretores estavam ali vendendo apartamentos daquela que seria a futura vila olímpica de São Paulo… Toda aquela região se transformaria no parque olímpico paulistano que seria utilizado nos jogos olímpicos de São Paulo.

Aparentemente, eu estava em um futuro distópico, onde a cidade seria sede de uma nova edição dos jogos…

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E assim, o sonho acabou…

[ Sonho 3 – A fita VHS alugada ]

Eu fazia algum tipo de limpeza em minhas coisas. E então descobri que tinha uma fita VHS alugada de algum filme do Jean Claude Van-Damme (sonho é sonho). Percebi que a fita já estava há muito tempo e que tinha que devolver o tal VHS.

Lá fui eu até o endereço da locadora que ainda (pasmem!) existia.

O rapaz do balcão me atendeu e percebeu que a entrega estava bem atrasada… dei um um sorriso amarelo.

Em seguida ele me informou que o valor total do aluguel, acrescido de taxa de atraso, somavam R$ 140,00.

Por um filme do Van Damme!!!

Eu argumentei com ele que provavelmente ele levaria meses para alugar novamente o filme e para minha surpresa, ele mostrou que na verdade, havia uma pequena espera para alugar o tal filme.

Depois de algum tempo, o rapaz resolveu me oferecer uma proposta… eu pagaria R$ 150 pelo aluguel e atraso, mas em troca poderia levar o filme que eu quisesse em DVD ou Blu-Ray como compensação.

Com um tino comercial como esse, fico me perguntando agora como a tal locadora ainda sobrevivia no mundo dos negócios.

Aceitei e assim percorremos a locadora em busca de um filme que chamasse a atenção. A locadora era na verdade um casarão com cômodos apertados, lembrando um grande labirinto.

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Lembro também que pelas janelas da locadora eu conseguia avistar uma piscina com algumas pessoas em volta. Parecia algum tipo de confraternização.

Voltando aos filmes, a situação mais divertida era que todos os filmes que eu sugeria simplesmente não existiam na locadora. Cheguei a sugerir aqueles boxes de séries de tv em DVD e o sonho acabou com eu avistando uma gôndola onde estavam algumas caixas do seriado Big Bang Theory e também do seriado ER (Plantão Médico).

[ Enfim, acordado ]

Após o sonho da locadora, eu acordei… olhei no relógio do celular que marcava 05:04. Eu estava totalmente desperto e descansado. Algo raro…

E lembrava bem dos sonhos…

Então vim aqui e escrevi… não são sonhos conexos e na verdade são cenários bem inverossímeis considerando a minha atual realidade.

Mas é divertido poder pensar que – em algum lugar – a realidade pode ser diferente, distópica e bagunçada. E ainda assim, crível.

26 de fevereiro de 2018

Panquecas

Não parecia algo complicado… leite, farinha, ovos, fermento, sal a gosto. Bater a massa, colocar na frigideira. Servir…

A arte de fazer panquecas não me parecia ser algo complicado e ter o seu domínio parecia apenas uma questão de tempo.

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Preparei os ingredientes… primeiro fui ao mercado em busca de ingredientes: faltavam a farinha e o fermento. Seriam panquecas simples, daquelas do tipo americano que você despeja alguma cobertura doce ou salgada e come no café da manhã.

Algo trivial…

Um mercado bem cheio para uma manhã de domingo. Pessoas na fila do açougue, na fila do pão. Eu só precisava de farinha e fermento.

Já na cozinha preparei tudo o que seria necessário: uma vasilha para a mistura, uma frigideira, os ingredientes. Acho que tinha tudo a mão.

Devo confessar que seria minha primeira experiência com panquecas. Deixando de lado um pouco a modéstia, eu tenho alguma prática culinária bacana. Meus hambúrgueres caseiros são uma menção muito honrosa em meu currículo culinário. Devo dizer que minha maionese de legumes é uma tradição natalina bastante aguardada e no campo dos doces, minha gelatina multicolorida rende sempre elogios rasgados.

Diante de um sólido e bom retrospecto, as panquecas não pareciam ser um inimigo a ser combatido e derrotado, mas apenas um território a ser conquistado por simples aclamação.

Comecei então a misturar os ingredientes… Primeiro, os sólidos: a farinha, o sal, o fermento e até mesmo uma pequena pitada de orégano para ter um diferencial. Em um vasilha à parte misturei os ovos e o leite. A receita original não pedia, mas me pareceu conveniente um colher de azeite…

Com a mistura líquida pronta eu a acrescentei à mistura sólida, mexendo cuidadosamente para não empelotar. Usei para isso uma tradicional colher de pau, recomendadas por gerações na minha família.

Como resultado, obtive uma massa homogênea, nem líquida demais, nem consistente demais. Na viscosidade ideal, eu poderia afirmar.

Confiante, aqueci a frigideira e coloquei um pouco de margarina. Despejei o conteúdo da massa em quantidade suficiente para uma fatia espessa e apetitosa. Um agrado para minha esposa que tem passado poucas e boas ultimamente por conta de minha depressão.

Aguardei que a massa desgrudasse da frigideira e virei a fatia. Uma bela cor dourada formava uma crosta apetitosa. Após algum tempo, a outra face se soltou. E com isso eu conseguia uma bela panqueca.

Repeti o processo até finalizar a massa. O que resultou em três panquecas douradas. Dignas de uma foto… que não me ocorreu tirar. Mas garanto que ficaram tão bonitas como essa da foto que sorrateiramente busquei na internet:

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Então, arrumei a mesa do café, os pratos, os talheres, as coberturas. Eu realmente queria um café agradável nesta manhã de domingo.

Chamei minha esposa e servi em seu prato uma bela panqueca…

E então, ao cortar a panqueca ao meio, vejo uma massa viscosa escorrendo do interior da fatia, a farinha, os ovos e o leite que não cozinharam. As panquecas ficaram cruas. E ao ver aquele líquido escorrendo do interior das panquecas, o pânico tomou conta de mim.

Em uma tentativa desesperada de salvá-las, coloquei no microondas por alguns minutos, mas a massa teimava em não cozinhar…

Eu havia fracassado… Mais uma vez eu fracassava em algo simples. Fazer panquecas.

Minha esposa ainda tentou me consolar. Em vão… as panquecas estavam cruas e malfeitas. Estavam estragadas por minha culpa. Pela minha arrogância em achar que por saber fazer alguns pratos na cozinha eu poderia fazer panquecas de qualquer forma.

E se você achava que esta era uma história onde eu contava sobre meu fracasso com as panquecas, lamento desapontá-lo. Eu usei as panquecas apenas para prepará-lo para o que viria a seguir…

Eu entrei em pânico.

Pânico… não raiva, não frustração, não perplexidade… nada disso. Puro e genuíno pânico.

As panquecas foram apenas a gota d´água… porque algumas coisas não saíram muito bem. Resumindo a história, no dia anterior eu publiquei um podcast que no final das contas , foi mal editado por mim. Eu ainda perdi a edição de um vídeo inteiro porque eu não soube fazer a captação da imagem. Eu estava inconformado com estas coisas e tentava explicar para minha esposa o que tinha dado errado.

E no processo, Mariana não nos deixava conversar. Eu tentava falar, Mariana cortava, tentava continuar, Mariana cortava novamente.

Eu não conseguia manter um diálogo consistente com minha esposa.

E apesar dos avisos, a Mariana não parou.

E então… eis que em algum momento, eu parei de (tentar) falar com minha esposa. Olhei firme para minha filha e gritei (não… não vou tentar amenizar… eu gritei como um animal) com ela para que ela parasse. Para que parasse porque eu estava tentando conversar com a mãe dela.

Ela parou…

Parou… e seu rosto saiu da genuína alegria para o completo desespero e agonia. E começou a chorar.

E neste momento… e só a partir dali… eu havia me dado conta do tamanho da bobagem que eu havia feito.

Mas era tarde demais… o mal já estava feito. Ela chorou copiosamente e se afastou de mim… provavelmente por medo e decepção. Levou um tempo para ela se acalmar. Um pouco mais tarde, eu me desculpei com ela e com minha esposa. Tratei minha filha com todo o carinho possível e ela retribuiu o meu afeto… mas meu coração estava despedaçado pela grande cagada que eu havia feito.

As panquecas seriam uma forma, ainda que abstrata, de conseguir alguma absolvição por ter invertido tanto os valores importantes no dia anterior.

E de certa forma, as panquecas me julgavam e me condenavam.

E se negaram a me ajudar na minha penitência idiota…

Voltando ao pânico. Eu entrei em parafuso… tudo estava errado. Tudo estava em ruína novamente. Não conseguia fazer nada a não ser chorar e chorar. Agora tudo está um pouco nebuloso. Pelo que sei, minha esposa ligou para meu médico que tratou de orientá-la sobre o que fazer. Depois disso eu apaguei. Dormi o dia todo. Acordei durante a madrugada.

Vazio… com um enorme peso na cabeça e talvez na consciência.

E é por isso que você está lendo isso aqui. Porque hoje eu sei que minha filha não tem maturidade para entender o quanto eu errei e o quanto eu me arrependi do que fiz.

Mas quero de alguma forma deixar isso registrado, para que ela um dia saiba que eu errei e que vou me cobrar mais para não errar novamente.

E no fim… as panquecas serviram a seu intuito… mas por um bom tempo não tentarei fazer panquecas novamente. Eu as deixarei em paz…

11 de janeiro de 2018

Talvez eu esteja depressivo… Em busca do meu Ikigai

NOTA DO EDITOR: Este é um daqueles textos intimistas e reflexivos que escrevo quando não estou muito bem comigo mesmo. Se você não gosta do estilo… pule e aceite minhas desculpas.

Se você topa ler, então vamos ao texto… e obrigado pela atenção!

Há poucos dias eu conheci esta palavra diferente: Ikigai.

ikigai

Eu confesso que não conhecia e tampouco sabia o seu significado. Para começar, Ikigai é de origem japonesa. É a derivação das palavras IKIRU, que significa “viver”, com KAI que significa “realização do que se espera”. E juntas… temos a definição de IKIGAI: a ideia de ter um propósito de vida.

Antes de falar do Ikigai propriamente dito, preciso compartilhar algumas frustrações e pensamentos com você.

Como você deve estar cansado de saber, 2017 não foi um ano fácil para mim. Na verdade, toda confusão se iniciou lá pela metade de 2016. Era um tempo em que eu não tinha todos os meus sonhos e desejos realizados. Mas estava – digamos – remediado.

Saí de um escola relativamente tranquila para tentar uma escola menor e mais tranquila. Deu errado. Fui parar em uma escola bem maior e com muitos problemas… desde a gestão, quanto à estrutura, quanto às pessoas. Uma escola ruim.

Cansado de tudo aquilo, tomei a decisão de sair. Acreditei que estaria em uma escola com menos problemas e por ter menos responsabilidades eu imaginei que estaria em um lugar mais tranquilo.

E de novo eu me enganei… havia um grande ressentimento por eu simplesmente ter largado a escola para ser gerente em outra. Havia uma grande medo de – pelo fato de eu ter sido gerente – quisesse impor meu modo de trabalho ou ainda tomar o lugar das pessoas. Havia ainda um sentimento de não pertencimento. Como deixaram claro mais de uma vez, eu não fazia parte daquele lugar.

Aí, pirei… fiquei mal. Fiquei desorientado. A insônia, ansiedade e angústia eram presenças constantes. Percebi que precisava de ajuda. Fui afastado do trabalho pois precisava respirar. Precisava entrar nos eixos…

Fui para uma nova escola. E curiosamente, ali tomei o cuidado de perguntar, questionar. Ter certeza de que ali eu não seria um peso. Aparentemente não era…

Então eu fui…

Mas de novo, eu me enganei. Desta vez, era um clima mais ameno. Não havia ressentimento, mas ninguém estava disposto a aceitar as ideias de alguém de fora. De novo fui relegado à tarefas de pouca expressão ou importância. Fui colocado em tarefas que já eram feitas por outras pessoas, apenas para ocupar meu tempo.

De novo… eu era um peso morto.

Eu já perguntei para um médico psiquiatra de modo direto: eu estou com depressão? A resposta foi “não”. Mas aquilo que restou em mim do estudante de medicina insiste em não concordar… eu vejo em mim os sinais de uma depressão.

  • Meu sono está desregulado… eu não durmo… eu tenho pequenos cochilos. E normalmente acordo assustado com algo.
  • Minha alimentação está maluca… não é correto alguém se alimentar de pão e queijo o tempo todo. Só pão e queijo…
  • Baixa auto-estima… sim… eu ando me sentindo um bosta.
  • Pessimismo exagerado
  • Total falta de concentração
  • Ansiedade… ou sirucuticos… como preferir
  • Compulsivo… tomar uma coca cola 2L sozinho por dia não é normal.
  • Sentimento de incapacidade para fazer as coisas

Eu já deveria ter voltado a trabalhar… ainda não o fiz. E não tenho uma boa razão para isso. Eu deveria ter organizado a casa e também não o fiz. Eu estava com planos para gravar meus vídeos, fazer minhas coisas… nada fiz. Apenas prostrei-me e fiquei passivo a tudo que está passando ao meu redor.

Para ajudar, estou em casa sozinho. Apenas eu, os gatos e o cachorro. Minha esposa foi viajar com a minha filha. Então o dia em geral é silencioso. Quando muito… converso com os filhotes.

Sinceramente? Eu acho que estou sim com uma tremenda depressão.

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Não sou médico… então não posso afirmar isso.

O pior desta doença é o fator social… quem não tem, acha que quem tem está simplesmente com frescura. O que não é verdade… eu não gostaria de ninguém no meu lugar neste momento. Ninguém. Nem meu maior desafeto (usei “desafeto”, porque acho que não tenho inimigos…).

Bom… e o que o meu pretenso estado depressivo aqui tem a ver com o Ikigai?

Andei lendo sobre o tema. Descobri que o Ikigai não é somente uma palavra com significado, mas sim a síntese de uma filosofia. E já que Ikigai em síntese significa encontrar uma razão para viver, isso é o que estou procurando no momento… as razões para viver que me tirem deste buraco que me sinto.

Além disso, as coisas são um pouco mais complexas… porque não basta apenas conhecer as razões para viver, mas colocar em prática as coisas que levam a termo estas razões.

E é aí que a coisa tá pegando…

Em seu início, a ideia do Ikigai lhe propõe 4 perguntas:

  1. O que você ama?
  2. No que você é bom?
  3. O que o mundo precisa de você?
  4. Pelo que você pode ser pago?

Confesso que a última pergunta me soa estranha… mas de certo modo é coerente. Você precisa de meios para viver. E viver implica em se situar no mundo em que vivemos. Um mundo em que temos contas a pagar. Em que precisamos pagar por produtos, serviços, comida… Eu não pretendo morar em uma floresta praticar o modo de produção coletivista. Então, é natural que pensemos em ter uma remuneração para poder arcar com as despesas…

Afinal de contas, faz sentido pensar naquilo que pode gerar recursos financeiros para você.

A partir das respostas é que você pode pensar em como balancear suas paixões, com sua missão, com sua profissão e com sua vocação.

No meu caso, tenho certeza que a coisa está num grande desequilíbrio…

Graficamente, o Ikigai funciona mais ou menos assim:

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Se você observar o gráfico, verá que algumas regiões mostram as sensações não boas: inutilismo, pobreza (não estou falando da pobreza material), incertezas e vazio.

Estas áreas estão associadas com outras sensações: conforto, excitação, satisfação e plenitude.

Eu fiquei olhando para este treco um bom tempo… tentava entender o conceito, responder as perguntas iniciais, para quem sabe encontrar um eventual caminho.

“Paixão”, “Missão”, “Profissão”, “Vocação” eram conceitos claros para mim há muitos anos atrás… hoje são complexos, confusos, incomodam.

Eu não sei que ponto do meu caminho eu estou. Mas sei que estou muito confuso.

Mesmo aquelas quatro perguntas iniciais que deveriam ser óbvias em suas respostas, não estão tão óbvias assim. Claro que amo minha família. Mas só o amor por eles não vai me tirar deste ponto. Eu achava que era bom em muitas coisas. Com o tempo, percebi que existe uma grande diferença entre ser bom e ser esforçado. Eu não tenho a menor ideia do que o mundo precisa de mim (hoje acho que nem a leitura diária do Diário Oficial)…

Eu sei que tenho que encontrar as respostas para aquelas perguntas. Eu preciso encontrar um ponto de equilíbrio e pensar em seguir com a vida.

Mas também sei que algo não está bem. Algo está muito errado.

E eu não estou conseguindo me concentrar na solução… apenas no problema.

Bom… era isso. Obrigado se você chegou até aqui. 

7 de janeiro de 2018

Você é feliz no trabalho? (Um Papo Qualquer #11)

E retomamos os trabalhos para 2018… Está no ar um novo episódio do podcast "Um Papo Qualquer"!

[Ficha Técnica]

[Título] Você é feliz no trabalho?
[Publicação original] 07/01/2018 [Duração] 23’42’’
[Formato] MP3, 96 kpbs @ 44,1 KHz
[Músicas]
-
“Funky Suspense” by Bensound; “Drive along the sunset” by Mark Tyner; “Special Spotlight” by Kevin MacLeod.
- “Chatting”, “City Life”, “Deep Chill”, “Unity”, " são todas obtidas junto ao Free Stock Music, conforme o termo de licença de uso (End User License Agreement), tratando-se de músicas royalty-free.
(músicas licenciadas nos termos da
Creative Commons)

011

E começamos o ano com um episódio mais introspectivo. Para você que acompanha meu trabalho, sabe que vez ou outra eu publico alguns conteúdos mais intimistas. Um desabafo, uma reflexão, uma revolta…

Desta vez, quis falar sobre minha insatisfação. De uns tempos para cá eu não tenho me sentido feliz no trabalho. E isso me fez pensar em quais elementos – na minha opinião – são indispensáveis para estar bem no trabalho?

Esta reflexão levou a criação deste episódio que apesar de curto é bem denso em seu conteúdo.

Deixe nos comentários suas impressões… sua opinião, crítica. Ajude-me a entender tudo isto.

[Links úteis para este episódio]

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