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2 de março de 2018

Um papo com Michel Vieira (Um Papo Qualquer #18)

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[Sobre o episódio]

Vamos matar a saudade? Michel Vieira participou de alguns episódios do Podástico e sempre foi uma figura carimbada no blog. Obviamente ele não poderia deixar de participar aqui do nosso Um Papo Qualquer.

E nossa conversa foi sobre o processo de criação do seu livro “Histórias de Plantão”, publicado em 2016 pela editora Autografia (clique aqui para adquirir o seu exemplar).

Um papo divertido e animado com muita irreverência. Você não pode deixar de participar desta conversa. Venha se divertir com a gente!

[Ficha Técnica]

[Nome do episódio] Um Papo com Michel Vieira
[Publicação Original] 02/03/2018 - [Duração] [1:08'47"]
[Formato] MPEG-1/2 Audio Layer 3 (mp3@128kbps)
[Músicas] - intro: "Funky Suspense" by Bensound - abertura e encerramento: "Chatting" by Free Stock Music - "Ocean" by Ehrling: https://soundcloud.com/ehrling ; "Prelude" by The Fat Rat: https://goo.gl/ZBZxtc

21 de julho de 2017

Podástico #18: A 1ª geração 100% digital

E mais um Podástico está no ar! É o nosso programa número 18.

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Nesta edição trazemos um ilustre convidado. O psiquiatra e escritor Michel Matias Vieira participa da discussão do tema desta semana.

A conversa usa como ponto de partida o artigo publicado pelo Ronaldo Lemos na Folha de São Paulo, intitulado "Sereias digitais, vício em tecnologia e dicas para um uso saudável da internet".

Em seu artigo, Lemos argumenta que o uso de dispositivos eletrônicos, ainda que tenham vantagens, não devem ser usados de forma irrestrita e que teremos de ser recompensados pela nossa atenção, já que o dinamismo domina os tempos atuais. Você pode conhecer o artigo através deste link: goo.gl/VQRhtE

Carlos Aros e eu, juntamente com Michel Vieira, discutimos o quanto a tecnologia interfere na formação das crianças que são genuinamente a primeira geração totalmente imersa neste mundo digital, sempre estabelecendo um contraponto com a perspectiva comportamental apresentada pelo nosso convidado.

Se liga no bate-papo e deixe os seus pitacos na sessão de comentários!

Este é o Podástico! Um podcast diferente... aqui discutimos sobre tudo, falamos sobre o nada e chegamos a conclusão alguma. Venha se divertir com a gente!

Sobre o nosso convidado, Michel Vieira é autor do livro "Histórias de Plantão", lançado pela editora Autografia (goo.gl/kAkeKL)

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3 de março de 2017

Os livros que li: O Nome da Rosa

Descobri Umberto Eco de fato somente quando já estava na faculdade. Bem é verdade que eu já tinha visto o filme baseado na obra que foi estrelado por Sean Connery e Christian Slater (ainda no início de sua carreira) nos tempos do colégio. Assisti ao filme para um trabalho de escola. E foi só depois de alguns anos que me interessei pela obra deste brilhante escritor.

Imagem relacionada

Ideia geral do livro

O romance se passa na Idade Média, no século XIV. Naquela época, a igreja condenava qualquer forma de riso e escárnio com muita severidade. E dentro de uma Abadia (ou um Monastério, dependendo da tradução) situada ao norte da Itália, uma série de suicídios acontecem no local sob circunstâncias estranhas.

Preocupado com as mortes, o Abade pede ao frade franciscano, William de Baskerville para investigar as circunstâncias destas mortes.

William um ex-inquisidor, observador astuto e perspicaz, acompanhado de seu pupilo, o noviço Adso de Melk, inicia suas investigações pela Abadia e descobre que na verdade existe uma grande segredo em torno de um livro profano guardado na misteriosa biblioteca da abadia.

Paralelamente à esta trama, vemos Adso, um jovem noviço descobrindo sobre a vida profana e sua luta interna entre o fé e desejo.

O que o livro me trouxe?

Antes de tudo, o livro também é uma bela aula de história. O livro detalha muito bem como funcionava a atuação do clero em um momento onde a igreja era o principal difusor do conhecimento. Além disso, o livro é recheado de dilemas morais, que coloca o leitor como juiz das atitudes das personagens.

Eu precisei ler o livro por mais de uma vez para entender algumas questões propostas pelo livro. E isto foi fascinante. Pois a cada nova releitura, novas descobertas.

A biblioteca era para mim algo sagrado. Imaginar toda sua grandiosidade e todo o seu acervo foi um exercício muito interessantes. Que livros estariam ali guardados? Que histórias seriam descobertas? E porque a intransigência do homem permitiu que aquilo tudo fosse destruído? Opa… Spoilers!!!

Algo que só me ocorreu muito tempo depois é que toda a história é narrada sob o ponto de vista de Adso, que conta toda esta história quando já é um velho monge. Em algumas passagens, no entanto, o autor se vale de licença-poética para criar a trama, já que Adso não tinha como ser uma narrador onisciente e onipresente.

O livro me trouxe isso: conhecimento. Aprendi a origem de algumas coisas…. como “Escritório” que deriva de “Scriptorium” onde os monges copistas transcreviam os livros, pois a imprensa ainda não existia. Aprendi muito sobre o estudei na escola a respeito da Idade Média. E acho que isso foi um dos responsáveis por me fazer gostar de história.

Curiosidades

  • Existe uma adaptação para o cinema, como mencionei logo no começo do texto. O livro é de 1980 e o filme, de 1986. O filme inclusive rendeu ao ator Sean Connery o prêmio de Melhor Ator pela BAFTA (Academia Britânica de Cinema e Televisão)
  • A inquisição é um dos subtemas do livro. Bernardo Gui chega na segunda parte do livro com uma investigação que se bem sucedida poderia eventualmente transformar o protagonista em um herege.
  • Apesar de William ser apresentado como um investigador, ocorre que na verdade existe uma grande disputa interna pelas ordens monásticas, sendo que naquele momento os Beneditinos estão em disputa com os Franciscanos. Tanto é que haverá um encontro entre as diversas ordens monásticas ali mesmo na abadia. Só depois de muito tempo é que percebi que o Abade não estava preocupado com possíveis culpados pelas mortes. Ele estava somente tentando preservar o bom nome da Abadia.
  • Umberto Eco faz um referência muito grande à obra de Jorge Luís Borges, renomado escritor argentino. A referência é tão grande que existe um personagem (Jorge de Burgos) que – tal como o escritor argentino – também é cego.
  • Por incrível que pareça, este é o livro de estreia de Umberto Eco.
  • O nome da Rosa é algo muito simbólico. Pode ser muitas coisas. A leitura mais prosaica é definir que a tal “Rosa” é a camponesa (bruxa? prostituta?) que em determinado momento seduz Adso. Mas a leitura mais atenta, mostra que o nome do livro pode ser o livro perdido de Aristóteles ou ainda fazer referência a um poema do século XVII. Existe até mesmo uma referência possível à cidade de Roma.
  • Um dos nomes alternativos que foram cogitados para o livro foi “Abadia do Crime”. Que foi descartado. Entretanto, a premissa do livro é tão boa que deu origem a um jogo de computador baseado na sua história que recebeu o nome de “Abadia Del Crimen” (no original em espanhol).
  • Sobre o jogo, tenho a dizer que ele foi lançado para a plataforma MSX e eu joguei o bendito por volta de 1988, sem nunca conseguir terminar o jogo. Só consegui fazê-lo após ler o livro de Umberto Eco.

Definitivamente um dos livros mais sensacionais que tive o prazer de ler…

Ficha Técnica

  • Título: O nome da Rosa (Il nome della Rosa)
  • Lançamento: Itália, Setembro de 1980
  • Gênero: Romance histórico
  • Autor: Umberto Eco (1932-2016)
  • Edição Brasileira: Editora Record (592 páginas) – ISBN 9788501081407

11 de fevereiro de 2017

Os livros que li… O Físico

Olá, como vocês estão?

Como foi antecipado no vídeo do canal publicado em 08/02/17, vou lançar uma série de textos que versam sobre livros que li durante minha vida. A ideia não é fazer uma resenha literária, tampouco um prefácio tardio.

O que quero é contar um pouco sobre a história de livros que julgo interessantes combinando com as sensações que aqueles livros me causaram. Como sou um consumidor ávido de livros, então tenho bastante material para trabalhar…

Eu também pretendo fazer algo parecido com filmes, mas ainda estou formatando a ideia…

Sem mais delongas, vamos lá…

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Ideia geral do livro

O Físico é um romance ambientado naquilo que os historiadores costumam definir como a Alta Idade Média. A história começa na Inglaterra, na cidade de Londres onde Rob J. Cole ainda criança perde sua família e sozinho no mundo vê-se obrigado a acompanhar um Barbeiro-Cirurgião (Henry Croft ou simplesmente “Barber”) em suas viagens pelo território britânico.

Acompanhando Henry como um aprendiz de barbeiro-cirurgião, Rob J. percebe que muitos dos tratamentos médicos aplicados por seu mentor são apenas paliativos (são ventosas, sangrias, amputações, curativos, entre outros tratamentos simples) e que ele realmente não consegue tratar seus “pacientes”. Suas inquietações aumentam quando ele – em suas viagens – cruza com um médico judeu que consegue tratar uma doença (catarata) que Barber não sabe como curar.

Com a morte de Barber e já barbeiro-cirurgião, Rob J. procura novamente este médico para que ele possa aprender com seus ensinamentos. No entanto, ele é repelido pelo médico judeu.

Em suas aventuras, o livro mostra Rob J. atravessando o continente europeu rumo Pérsia para que possa aprender medicina com o mítico Ibn Sina (Aviccena). E por meio de uma mudança fantástica, Rob se passa por judeu para conseguir realizar o seu sonho: ser um médico.

Claro que o livro também é um romance e existe uma história de fundo onde Rob J. encontra Mary Cullen, que viria se tornar sua esposa.

Além disso, Rob J. se envolve em problemas políticos durante sua estada Pérsia onde ele até mesmo torna-se amigo íntimo do Xá de Ispahan. Essa amizade o leva a um grande tormento no livro.

O livro termina com Rob J. retornando à Inglaterra e posteriormente viajando à Escócia (nos Highlands) onde pode finalmente viver seus dias como médico tratando de seus pacientes e criando sua família.

O que livro me trouxe?

Eu já li e reli algumas vezes este livro… não posso negar que ver Rob J. realizando seu sonho é algo muito gratificante para mim. A ideia de superar todas as adversidades unicamente contando com seu esforço e talento (olha o talento aí mais uma vez…) é fascinante para mim.

Além disso, o livro é muito bom… ele faz parte de uma trilogia (“O Físico”, “Xamã” e “A escolha da Dra. Cole”) e de longe é o melhor livro. Xamã também é sensacional… e o terceiro livro fica muito, mas muito longe da qualidade dos dois primeiros…

Em algumas passagens o livro me emociona… Ver Rob J. se sentir incapaz de curar um de seus pacientes… vê-lo desafiando crenças e tradições para tentar entender melhor o corpo humano. Perceber que ele vive aquilo… Fica claro que ele ama sua família, mas também ama ser médico (ou algo parecido com isso). Vê-lo superar problemas com idiomas (ele é obrigado a aprender persa, ídiche, francês e gaélico), conquistar tudo unicamente pelo seu MÉRITO.

Isso é transformador… para mim.

Em breve pretendo ler mais uma vez a aventura do jovem médico. Quem sabe eu encontre mais uma vez a inspiração necessária para retomar algumas coisas não é mesmo?

O que o livro me ensinou?

No aspecto prático, pude aprender muita coisa sobre a origem da medicina contemporânea. Noah Gordon não tem uma preocupação grande em ser preciso com fatos e datas históricas. Esta mistura de fatos, com a inclusão de algum realismo mágico (o tal “Dom” que alguns médicos manifestam), além é claro de uma história muito bem contada permite ver a medicina sem aquele rigor científico que permeia a prática médica atual.

Rob J. me ensinou que um problema, por mais instransponível que pareça ser pode ter uma solução. Nem sempre uma solução fácil ou tranquila, mas que se você se mantiver focado no problema, poderá solucionar todas as questões difíceis que surgirem.

Aprendi também que não existe mérito sem esforço e dedicação.

Aprendi também que medicina não pode ser apenas um desejo pelo que o título lhe traz…

Aprendi que todos deveríamos ser um pouco Robert J. Cole…

Curiosidades

Ok, a Wikipédia desencoraja seção de curiosidades… não estou nem aí…

  • O título original do livro é “The Physician” cuja tradução significa “O médico”. O tradutor do livro optou por traduzir como “O Físico” e muita gente acreditou tratar-se de erro grotesco. No entanto, na idade média, os médicos também eram conhecidos por “Físicos” (está no Houaiss). Então a tradução é correta, se pensarmos que se trata de um médico medieval.
  • O Xá de Ispahan e Aviccena existiram segundo documentação histórica existente. Entretanto, não existe nenhum registro de que ambos viveram na mesma época, nem mesmo que a cidade era dotada de um hospital (Maristan) tão evoluído para a época.
  • Eu sempre torci por uma adaptação para o cinema. Ela só surgiu em 2013 e sinceramente? Apesar da presença de Ben Kingsley no papel de Aviccena, o filme é ruim e deixa muito a desejar e não chega nem perto do brilhantismo do livro.
  • Caso você queira uma resenha jornalística sobre o filme, recomendo a leitura da publicação de Andreia Santana no Blog “Mar de histórias”.

Ficha técnica

O Físico (The Physician)
Noah Gordon
Editora Rocco (versões em papel e e-book)

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